1.3.10

Rapidinha: ecletismo, magia e valores

Postado por Alexandra Oliveira |

OK, esse é um assunto do qual já falei várias vezes, mas - como volta e meia uma pessoa nova no caminho dos deuses me pergunta sobre ele - vou retornar um pouquinho nisso para esclarecer algumas coisas de uma forma mais direta.


Ecletismo, sincretismo et al. Algumas pessoas, que me ouvem sugerir que a prática delas poderia seguir mais pelo ecletismo do que pelo reconstrucionismo, vêem isso como uma limitação, e não é! Nem o reconstrucionismo é melhor que o ecletismo nem o revivalismo é melhor que o reconstrucionismo. A questão é como você lida com isso. Você pode aprender sobre coisas diferentes, mas tem que considerar como as coisas eram feitas.

Antes de mais nada, parte desta postagem foi inspirada num áudio da K. Pythia Theocritos, em inglês, disponível AQUI. Então, resumindo e organizando (e traduzindo) o que ela fala:

Não há problema existir um eclético do tipo que cultua os deuses gregos e segue uma filosofia budista, por exemplo. São posturas que se reconciliam bem. Mas há outras práticas que possuem métodos totalmente diferentes de culto/rito, com deuses de dimensões muito diferentes, que fica difícil manter os princípios helênicos e colocar todas essas coisas junto.

Provavelmente você já ouviu alguém dizer coisas do tipo "eu USO Afrodite em feitiços de amor". Como assim você USA? Isso não soa ofensivo? Ninguém gosta de ser usado, que dirá uma deidade!


Ou que tal alguém dizendo "eu sigo a lei tríplice (do retorno triplo), mas eu cultuo Ares"... Hein? Como assim? Se tudo o que você fizer volta para você, você não vai sair da cama e agir, tomar uma atitude, como Ares espera que você faça. Há momentos em que você precisa chutar o pau da barraca mesmo!

Sem falar em quando as pessoas associam Hécate APENAS a uma deusa das bruxas. Nenhum deus ou deusa era só uma coisa. É frustrante quando alguém fala "Atena é a deusa da sabedoria, Poseidon é o deus do oceano etc", porque eles não são só isso.

E a questão de sempre dar uma importância extrema para a lua cheia? Nós celebramos a lua nova, que inicia os meses helênicos. Como você pode ser helênico invertendo algo básico da prática ritual?

Sim, porque o helenismo não é só ler os mitos. Quantas vezes você diz que cultua os deuses e alguém te diz "ah, eu gosto muito de mitologia também". O que fazemos é mais do que mito e história e literatura clássica. Para entender os deuses, é preciso entender as pessoas que os cultuam. Mas muitos não querem sequer fazer libações...

Agora, outra questão que me apareceu pela 'trocentésima' vez e que continuam surgindo pessoas com dúvida: a história de que no reconstrucionismo não se "permite" a magia. O que falamos nisso é com relação a não cometer Hybris, a não interferir no livre-arbítrio e na ordem natural das coisas. Ou seja, tudo bem você usar ervas, oráculos, incenso, óleos, fazer preces pedindo por coisas aos deuses e fazer ofertas em agradecimento antecipado pela Sua ajuda, esperando que nos orientem e façam o que acharem melhor dentro do julgamento dEles. Mas outra coisa é você fazer um feitiço/simpatia que "garanta" que o "seu" desejo seja realizado da maneira que "você" acha que é a melhor. (Fora que isso tira toda a surpresa que dá graça à vida, hehe!)

Nós estudamos a magia homérica, as tábuas de imprecação, os papiros mágicos gregos, as amarrações etc, mas o interesse é bem mais acadêmico do que outra coisa, pois não podemos cair na Asebia ou na Deisidaimonia, ou seja, não podemos dar todo o crédito do que acontece para nós mesmos nem podemos ficar super-dependente dos deuses, tendo superstição com tudo.

Enfim, há que se manter o Métron entre Agon e Sophrosine, entre a competição/tensão e a gentileza/prudência. No final das contas, acaba sendo tudo uma questão de bom senso... Então que Métis nos ajude!

7 comentários:

Edson Bueno de Camargo disse...

Considero-me um não praticante de todas as religiões. Minha principal religiosidade está na busca pelo conhecimento e no êxtase pela poiésis.

O problema do paganismo em algumas pessoas é a matriz profundamente cristã que se impregnou em nossa psiquê. Existe, em algumas pessoas, mesmo que em nível inconsciente, o condicionamento pelo certo e o errado, daí a dificuldade em se se focar. Ao romper com o maniqueísmo fica mais fácil deixar de ser dualista para se tornar monista.

Que os Deuses nos permitam, tudo ficaria mais fácil.

Améthysta Eleúthera Kunoloverna disse...

Obrigada pelo post, desculpa por ser uma das pessoas chatas que perguntam sobre magia e helenismo.

Améthysta Eleúthera Kunoloverna disse...

Consegui colocar seu banner no meu blog :)

Espartana disse...

obrigada! e não és chata, até foi bom porque me deu assunto para postar ;D

Daniel disse...

A foto é o maximo! hehe

MerryMaid disse...

Fato. É impagável a cara da Afrodite em shock. XD

Adriano Oliveira disse...

Excelente essa sua colocação!

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