Minha versão do Salmo 23, feita de última hora depois de ver o mesmo postado em um blog :
Hermes é teu pastor, nada te faltará.
Se precisar, roubará para ti o rebanho de Apolo e se deitará em verdes pastos, tocando mansamente a lira de um casco de tartaruga.
Condutor de almas, ele as guia pelos campos de asfódelos e pelas planícies serenas do Hades.
Mas nada hás de temer, pois é também dele a transformação da alquimia e a abertura de estradas, o deus da travessia e das travessuras.
Seu caduceu e o adejar de suas asas nos confortam.
Levará rapidamente tua mensagem aos deuses e trará deles, na mesma velocidade, as bênçãos que cobrirão de movimento os teus dias.
Por todos os aeons, por todas as eras.
Ésto. Ghénoito. (Assim seja.)
~ Álex, 22/11/2009 ~
Hermes Noumios/Oeopolus/Kriophoros (o bom pastor)
Ontem a Lu Polisel me pediu para escrever um texto com o tema Despedida, para ela ler em um sarau nesta próxima semana e dizer "com muito orgulho" que o texto é da sua amiga Álex "que mora em uma ilha lindíssima", hehehe! Eu fiz o texto a seguir e ela disse que poderia postar onde quisesse. ^^ Fica aqui então para vocês:
Enquanto estive aqui, meu coração transmutou. E agora preciso levá-lo a outro lugar, onde possa contagiar alquimicamente corações semelhantes.Não se aflijam quando eu atravessar as ondas do azul. Ele é tão profundo quanto o amor que lhes tenho, tão misterioso quanto o elo invisível que nos une, tão vasto quanto os caminhos pelos quais o destino nos leva. Espero que o mar, que tudo acolhe, torne igualmente receptivo o meu novo lar.
Eu sigo a direção do sol, como Órion amou a Éos, a aurora. E, quando cai o véu da neblina, seguirei da mesma forma que olhar de Selene acompanhava Endímion.
Onde eu estiver, lembrarei de todos ao ver o fogo de Héstia e as crianças de Ártemis, pois sei que compartilharemos os mesmos pensamentos nos deuses.
Quanto a vós, se me amam, mantenham minhas plantas vivas e cuidem de si. Que nenhuma lâmina os atinja, e que nenhuma praga as invada. Que a doença se aparte de todos. Que, tanto nesses belos corpos quanto naquelas belas folhas, não haja excesso nem falta de sol, nem de água, nem de vento, nem de sombra.
Que, ainda longe, eu seja permeada pela lembrança da sensação que guardo de nossos abraços, do cheiro das flores, e de como costumáveis cerrar lentamente os olhos, como se fossem pálpebras flutuantes emoldurando esse espelho brilhante da alma.
Despeço-me, amados; despeço-me, amigos; despeço-me agora de meus espíritos irmãos. Que a caminhada seja segura, que a viagem seja prazerosa, que a ausência seja breve, que a distância seja um detalhe, que o carinho seja eterno, e que o reencontro se dê a cada noite: quando fecharmos os olhos e passearmos nos sonhos.
E caso a saudade for grande a ponto de transbordar em pranto, considerai as lágrimas como parte do oceano que me leva, constituídas do mesmo elemento, materializando um pouco de mim no lugar onde estais, tornando real minha presença. Farei o mesmo convosco.
O mar não nos afastou, é seu sal que nos une. E cada orvalho do dia que amanhece é uma promessa de travessia e de retorno.
( Alexandra, 13/11/2009 )

[1][2]
Primeiro descobri que, como para a maioria das coisas, para esta também há um "daimon" (espírito). Penthos[3] é filho do Éter e Gaia, figurava entre as Algea (Tristezas), que eram 'daimones' de dor e sofrimento - tanto do corpo quanto da alma, de luto, tristeza e aflição. Eles traziam lágrimas e eram opostos ao Hedone (Prazer) e às Cárites (Graças). O escritor Statius (em 'Thebaid' e 'Silvae') menciona Penthos como um espírito que fica entre os que sofrem luto, incitando seus corações, arfando seus peitos e fazendo-os soluçar.
"Penthus é a personificação do pesar. Quando Zeus decidiu quem seria ser o deus do quê, Penthus não compareceu. Não sobrou nada para ele além das honras prestadas aos mortos, o luto e o choro. Penthus favorece aqueles que pranteiam seus mortos, e por eles serem tão bons em seus prantos ele os envia o maior pesar que pode. Então a melhor forma de evitar a dor é manter a quantidade de aflição a um mínimo." (Ryan Tuccinardi)[4]
Nos antigos epitáfios, como o de Epinike e de Philokydis, mencionava-se muito o fato do pesar/dor/tristeza/luto que a pessoa morta deixava aos sobreviventes.[5]
Nós comentamos, então, que respeitar a passagem do ser amado, tanto no sentido da memória da pessoa que vai quanto da tristeza das pessoas que ficam. Os cristãos dizem que as pessoas que morrem estão felizes no céu com Jesus e os anjos, e que contraditoriamente deveríamos ficar felizes por elas, mas ficamos tristes e pensamos que estamos errados e não entendemos isso e sentirmos culpa. Não faz sentido, faz? Você se debater contra o que você sente, achando que deveria estar sentindo outra coisa, é no mínimo uma falta de respeito à nossa natureza. Quando alguém morre, todas as várias coisas que sentimos poderia se resumir a Penthos. Independente de para onde as pessoas amadas foram depois de mortas, nós estamos tristes sim por eles terem partido, por não estarem mais conosco, por sentirmos saudades deles, por não podermos vê-los cumprir todas as esperanças e sonhos que eles tinham para esta vida. E tudo bem sentirmo-nos assim, faz parte. É esperado que fiquemos mal, tristes, irritados, revoltados, o que for. Somos humanos!
É exatamente nesses tempos de crise que você passa a perceber mais forte a utilidade das suas crenças. São os deuses e daimones que nos ajudam a superar. Eles podem não estar me abraçando, me dando colo, mas estão ali, e a presença deles comigo, o fato de se mostrarem disponíveis e atentos, é tudo, é maravilhoso, me deixa melhor. Tem coisas que a gente não precisa concluir que teve uma razão para acontecer, ainda mais morte (que é tão difícil achar um motivo, a gente sempre acha que não era necessário tirarem alguém de nós tão radicalmente). Elas simplesmente acontecem e pronto. Talvez até tenham uma razão que desconhecemos. Não dá para culpar ninguém, nem para se apegar a algum plano misterioso acontecendo, até porque a gente pode nunca descobrir que razões foram essas. A solução é lidar com a perda, lembrando que o destino e o tempo nem sempre nos favorecem, e seguir adiante com a vida.
Os gregos, que eram tão amantes da razão, provavelmente diriam que o certo é seguir adiante de uma forma sincera, e não fantasiando justificativas e pintando nuvens de algodão-doce sobre os fatos. Você está despedaçado por dentro, então sinta isso, os deuses esperam que você sinta mesmo, até o negócio esgotar e você ser transformado. A dor é transmutada. Como qualquer massa fermentada, ela não vai crescer e virar bolo se não for lançada no fogo. É necessário. Sei que é extremamente difícil de aceitar, mas não temos superpoderes, então a nossa limitação humana só nos permite isso, e é isso que temos que fazer. Devemos deixar Penthos nos incitar o coração e nos arfar o peito se preciso.
Uma outra coisa que percebemos ao procurar por Penthos em textos épicos é que ele seria muito mais um pesar público, coletivo, oposto ao Kleos (que seria o privado, particular).[6]
No quarto livro da Odisséia de Homero, aparece a palavra "Nepenthe" como aquele que afugenta a tristeza ('ne' como partícula de negação para 'penthos'). A "Nepenthes pharmakon" (filtro que afugenta a tristeza) era uma poção mágica dada para Helena por uma rainha egípcia. Essa poção acalmava todas as dores com o esquecimento.[7] Os estudiosos acreditam que se trata de um preparado de ópio, similar ao láudano. Outros dizem que seria um elixir egípcio feito de losna (tipo o absinto). Mas os efeitos "positivos" descritos do Nepenthe são bem similares aos efeitos dos opiáceos/narcóticos: um estado lânguido e prazeroso da mente, com intensa sensibilidade à beleza.
Píndaro tem um trecho que diz "Aqueles os quais da parte de Perséfone irão receber compensação por um 'penthos'/pesar de longa duração, a alma desses ela envia de volta para cima, no nono ano, para a luz do sol, e dessas almas crescerão reis ilustres, vigorosos em força e muito grandes em sabedoria. E para o resto dos tempos eles deverão ser chamados de heróis sagrados."[8]
Se o oposto de Penthos faz aumentar nossa sensibilidade à beleza, ler versos como esses de Píndaro me faz ver como é lindo e reconfortante fazer parte do mundo helênico...
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Notas:
1. (Todas as traduções citadas no texto são minhas, do inglês.)
2. 'The death rituals of rural Greece', Por Loring M. Danforth, Alexander Tsiaras.
3. Penthos, no theoi.com.
4. Penthus, no pantheon.org.
5. Hansen, P.A. (ed.). Carmina Epigraphica Graeca. Berlin & New York 1983-1989, visto em "Reading" Greek death: to the end of the classical period, por Christiane Sourvinou-Inwood.
6. The Best of the Achaeans, Concepts of the Hero in Archaic Greek Poetry - Gregory Nagy (cap.6).
7. Sobre Nephente como oposto de Penthos.
8. The Best of the Achaeans, Concepts of the Hero in Archaic Greek Poetry - Gregory Nagy (cap.9).
"...Os ciganos normalmente não se preocupam se a ajuda de seus ancestrais vem de seres espirituais reais ou na verdade de forças criativas do nosso próprio subconsciente. De acordo com os ciganos da Ucrânia, do Cáucaso e da Romênia, não é possível explicar essas coisas. A única coisa importante é que funciona. No mundo de hoje, o poder dos sonhos e da arte de interpretação dos sonhos estão provando ser cada vez mais úteis para a psicologia moderna. Para muitos que praticam essa habilidade, tem sido amplamente provado que no nosso relacionamento intensivo com nosso próprio mundo dos sonhos há poderosas forças espirituais curativas."
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A beleza para os gregos tinha a ver com ordem, organização, estabilidade, daí a palavra para universo ("cosmos") ser a mesma que dá origem à ornamentação ("cosmético"). Tudo no universo era belo, por provir do divino; seja a beleza da natureza seja a do corpo humano. Era um mundo que Tales de Mileto descrevia como "cheio de deuses".
Quando o ser humano se afasta do divino, sofre, vive em um deserto vazio e solitário, um lugar... feio. As mulheres desse mundo materialista são vistas como objetos, classificadas como *frutas (vide mulher-melancia e suas sucessoras), e não mais como parte da beleza da criação. As pessoas começam a ser cotadas de acordo com sua fama e seu dinheiro, em vez de serem admiradas pelo que podem refletir do sagrado que lhes habita o coração. Não se valoriza mais a mente sagaz, a preocupação ambiental, a vontade de ser útil e prestativo, o relacionamento solidário com os outros seres humanos.
A beleza no helenismo corresponde à VERDADE, à refletir as coisas como elas realmente são, a uma autenticidade no que se mostra (e não com retoques de Photoshop, que nem existia), no relacionamento transparente que se apresenta com o que nos cerca. A beleza que não é superficial, que é acompanhada do trabalho sagrado (sacro-ofício, sacrifício) do mundano em prol do divino, essa sim é capaz de transformar a pessoa inteira (e não sua imagem ou fotografia), a qual passa a olhar para dentro, e refletir a beleza que ali encontra. Uma beleza representada a partir do olhar que se modifica - e "os olhos são espelho da alma e janela para o mundo". Quando conseguimos refletir esse belo, atraímo-los também, e passamos a encher de beleza tudo à nossa volta, todas as coisas tristes e sem sentido de antes passam a retribuir o 'olhar amoroso' que lhes damos.
É bem verdade que havia um cultivo do corpo, jogos olímpicos, atletas, espartanos e tudo o que já conhecemos da Grécia Antiga. Mas era também bem claro para eles que nada disso bastava se o interior fosse deixado de lado, se não se treinasse a mente e o espírito através da poesia, da música, da filosofia, da retórica etc. "Isso seria como oferecer a alguém um cálice dourado esculpido de ornamentos, mas cheio de água salobre e lama", disse uma vez Sannion, helenista dos EUA. Para os gregos, a harmonia, a justa medida (métron), tal como o 'caminho do meio' que ensinam os budistas, era fundamental. "Nada em excesso", dizia o oráculo de Delfos. Nem para mais nem para menos.
É essa harmonia que reflete o cosmo, a ordem natural. Sair dessa ordem, descontrolar seus desejos, pensar só em si, ser avarento e irritado, tudo isso eram coisas que pertubavam o espírito e desfiguravam o corpo. A arte mostrava isso, pois vemos que as figuras atormentadas eram retratadas como horrendas, ao lado de tantas estátuas gregas lindíssimas e de expressão serena, de bem com seu interior. Era uma espécie de elegância que tornava tudo bonito. O 'feio' era estar em agonia e em desesperança.
A beleza na religião helênica é um dos princípios mais essenciais, é uma CRENÇA ("acredite na beleza", como bem colocou a empresa moderna), é um RESPEITO ("ame o seu corpo", como diz esta campanha), é algo que torna a vida digna. Lembrando outra campanha, "imagem não é nada" quando há "sede" de deuses e de um sentido maior para a nossa existência.
Portanto, divulgue todos os dias, a começar por hoje mesmo, esse novo olhar que encontra o belo no exterior de si porque está cheio dele por dentro. Lembre-se que em várias mitologias a mesma deidade que representa o amor carrega a representação da beleza, e passe a amar-se e a amar o mundo e todas as suas criaturas. Com certeza o COSMO ficará mais belo assim.
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O "mensageiro portador do bem"
Sócrates comentou que o dele dizia quando ele deveria parar de falar ou ficar quieto. Aristófanes o cita na peça 'A Paz': "Eis o momento de verter uma taça em honra do Agathos Daimon". Píndaro, Próclus e Plotino também o mencionavam. Platão o chamava de "intérprete" e de "balseiro", pois o Agathos Daimon intermedia nossa relação com os deuses. Aliás, se você precisa de orientação, é mais conveniente voltar-se primeiro para ele antes de dirigir-se a algum deus. Ele costuma ser um ótimo professor. E, se receber um belo golpe de sorte, agradeça primeiro a ele também. Como hoje não temos mais casas com chão de terra, em um lugar fechado nós podemos verter libação em um pratinho e, de vez em quando, verter esse conteúdo em algum outro lugar depois.
Algumas pessoas imaginam que talvez ele possa até desenvolver uma relação romântica com seu protegido, a exemplo da que as ninfas desenvolviam com seus ninfoleptos. Mas na maioria das vezes ele é mais como aquele amigo invisível que responde seus pensamentos e te dá a mão para atravessar em segurança e lança um sopro de sorte quando você precisa. Para honrá-lo, vertemos libação nas refeições e nos lembramos dele no segundo dia de cada mês helênico. Ele pode ser não só um mensageiro aos deuses, mas também o espírito que enviamos para ajudar aqueles nossos amigos que estão fisicamente longe de nós. O daimon é capaz inclusive de influenciar sonhos e adivinhações. Ele protege nosso bem-estar, nossos pertences, qualquer lugar onde nosso coração esteja. Qualquer lugar ao qual chamamos de lar. (Até quando o nosso lar é uma pessoa.)

Na minha experiência com essa presença invisível constante, eu o percebo como alguém que rapidamente me responde e ao mesmo tempo faz isso com toda a paciência (e nenhuma arrogância) de um verdadeiro mestre orientador. Sabe aquela pessoa que tem as respostas às suas perguntas, muitas vezes antes mesmo de você formulá-las? Alguém que sabe do que você precisa sem que você chegue a pedir? Que olha por você e lhe protege das coisas e pessoas que lhe tentem fazer mal? E que, ao mesmo tempo, é seu companheiro na bebida e nos festivais, com quem você se diverte junto? Com ele do seu lado, o "tempo" nunca fecha e há um calorzinho gostoso da presença dele ali. E, de vez em quando, esse amigo lhe dá um presente (de sorte) só porque "se lembrou" de você (não que ele alguma vez tivesse esquecido, mas agradar sempre também não surte o efeito da surpresa, não é?). Seja ou não um "melhor amigo com benefícios" românticos, nenhum momento com ele fica abaixo de expectativas, porque - mesmo quando sai diferente do que você pensava que seria - ainda assim é tudo de bom, quando não melhor.
A maioria de nós se foca nos deuses e se esquece de cultuar seu 'agathodaemon', perdendo toda a parte gostosa de um relacionamento desses. Mas nunca é tarde para começar a reparar isso, ou pelo menos para passar a chamar do nome certo aquela voz que nós já tão bem conhecemos...
Traduzido por mim daqui: Greek Dancing Through the Centuries - History and Evolution.
Antiguidade / Origem da Dança
Os gregos antigos acreditavam que dançar foi inventado pelos deuses e, portanto, associaram isso com suas cerimônias religiosas e de culto. Eles acreditavam que os deuses ofereciam esse presente a alguns seletos mortais, que em troca ensinavam a dança a seus companheiros.
A mitologia grega atribui a origem da dança a Reia, que ensinou sua arte aos Curetes em Creta. Cronos destronou seu pai Urano. Uma vez que ele tinha medo de que pudesse ser destronado por seus próprios filhos, ele os comia assim que nasciam. Sua esposa Reia, porém, enganou Cronos quando sua última criança, Zeus, nasceu. Ela escondeu Zeus em uma caverna escura em Creta e, em vez de entregá-lo, deu uma pedra enrolada em faixas de pano para Cronos comer. Ela também pediu aos Curetes, que eram semideuses armados, para dançar uma dança de guerra em torno da caverna, gritando e batendo nos escudos com as espadas, para que Cronos não escutasse o bebê Zeus chorar. Quando mais tarde Zeus destronou seu pai, os Curetes se tornaram os sacerdotes no novo mundo. Seus descendentes continuaram suas danças de guerra como parte de suas cerimônias religiosas.
As fontes gregas mais antigas vêm de Creta, onde a civilização minóica floresceu em torno de 3000 a 1400 AEC. Os habitantes de Creta cultivaram a música, o canto e a dança como parte de sua vida religiosa e para seu próprio entretenimento também. Em algum momento durante o século V AEC, Creta foi tomada por invasores da Grécia continental e, por fim, foi controlada por Micenas.
Muitas descobertas arqueológicas mostram que a rica tradição cretense de dança indubitavelmente influenciou os micenos, que passaram adiante aquelas danças, junto com outros elementos de sua vida cultura e tradicional, para a Grécia continental.
As danças cretenses eram executadas em círculos abertos ou fechados. Os cretenses normalmente dançavam em torno de uma árvore, um altar, ou objetos místicos a fim de libertá-los do mal. Mais tarde, eles usaram a dança em torno de um cantor ou musicista. Esculturas cretenses ilustravam danças em um círculo em torno do tocador de lira, danças em casal conectadas com os cultos, e a dança um tanto de balanço, executada por grandes coros de mulheres em frente de todas as pessoas. Esculturas similares foram encontradas na Grécia continental e em Chipre, e eram datadas de em torno de 1400 a 1050 AEC.
O Papel da Dança na Grécia Antiga
Frases aqui e ali em textos antigos mostram que a dança era tomada em alta consideração, em particular por suas qualidades educacionais. A dança, junto com a escrita, a música e o exercício físico, era a base para o sistema educacional e muitos autores exaltam suas virtudes como meio de cultivar tanto o corpo quanto a alma.
De acordo com Ateneu, na Arcádia, os gastos com o ensino de dança aos rapazes estavam incluídos no orçamento cívico. Os pupilos representavam uma performance anual de suas habilidades alcançadas, a qual todos os cidadãos compareciam. Luciano nos conta que os tessálios tinham tanta consideração pela arte da dança que concediam a seus eminentes cidadãos o título de “protorchesteres” (dançarinos-líderes). Em Esparta, o exercício físico era equivalente a uma doutrina política. Os espartanos dançavam principalmente danças marciais e treinavam/exercitavam-se ao ritmo das marchas. Às garotas ensinavam-se experiências de dança similares que eram executadas em público. Os espartanos não apenas dançavam antes das batalhas, mas também lutavam com movimentos rítmicos à melodia das flautas. A todos os cidadãos atenienses ensinava-se a arte da dança, e os jovens das famílias mais ricas tinham tutoria particular em dança, música e poesia, de renomados instrutores.
O famoso general Epaminondas recebeu lições assim em Tebas e era um talentoso flautista, tocador de lira e, como o poeta trágico Sófocles, um cantor e dançarino realizado. No “Simpósio”, Sócrates não apenas declara seu amor à dança como seu desejo de aperfeiçoar sua habilidade também. Os primeiros poetas também eram conhecidos como “orchestres”, uma vez que eles não apenas treinavam o coro nas peças como também davam lições particulares de dança. Tanto em “Leis” quando em “Estado”, Platão eloquentemente expressa sua crença nas virtudes da dança. Para ele, um homem que não pode dançar é um homem sem educação e sem refinamento, enquanto um dançarino realizado é o epítome (exemplo ideal) de um homem de cultura. Na sua exposição detalhada da educação dos jovens, a música, o exercício físico e a dança têm lugar de destaque. Ele advoga que as garotas deveriam aprender os mesmos movimentos de dança que os garotos, salientando que elas deveriam ter uma professora (mulher) e que sua instrução não fosse temperada com a severidade espartana.
Características Gerais das Antigas Danças Gregas
A característica diferencial dos gregos tem sido mais completamente expressa na dança coral. O renomado pesquisador Curt Sachs nota que nas antigas esculturas gregas o observador admira o ritmo jovial que une - em uma harmonia mais do que pessoal - movimentos que se erguem de uma compulsão interior e em acordo com a lei do próprio corpo do dançarino. As danças gregas negligenciam a pélvis e elevam a beleza e a plasticidade do corpo humano. Por outro lado, danças de pessoas com baixo nível cultural são caracterizadas por elementos sexuais e movimentos da pélvis.
A formação dominante de todas as danças gregas antigas pareciam ser a do círculo, aberto ou fechado ou espiralando. Apenas Ateneu se refere a danças em linha reta, assim como as “quadrilhas” das quais ele não fala muito. Via de regra, homens e mulheres dançavam separadamente, raramente juntos. No teatro, os membros do coro e os atores principais eram todos homens. As mulheres dançavam danças femininas juntas, e danças dionisíacas durante os festivais orgiásticos de Baco. Os dançarinos eram em sua maioria amadores, exceto por aqueles envolvidos com o entretenimento nos jantares de simpósios, que eram considerados como de baixo status social.
Desde o período minóico, o acompanhamento musical da dança desempenha um papel muito importante no ato de dançar. Na verdade, havia uma palavra única para representar canção, dança e música instrumental; a evidência sugere que eles nunca entoavam um canto sem movimentar seus corpos.
Instrumentos conhecidos dos tempos antigos eram pedaços de Madeira, címbalos (pratos) de metal, sinos e instrumentos em forma de concha, que eram usados para manter o ritmo da dança. Eles também usavam sistros (uma espécie de chocalho) e tímpanos.
Minóicos usavam instrumentos de corda, tais como cítara e lira, e instrumentos de sopro como o aulos e a flauta de Pã.
Tipos de Danças
As danças dos tempos antigos são caracterizadas como danças de guerra ou danças de paz. As últimas são divididas em danças de teatro, religiosas e de culto, danças marciais, danças de simpósio, danças matutinas etc. Cada tipo de apresentação – tragédia, comédia e peça satírica – tinha suas danças características, algumas sérias e solenes, algumas apresentando mímicas lascivas com adereços fálicos. As danças citadas nos antigos textos são as seguintes:
• Pírrica : a mais conhecida entre as danças marciais, parte da educação militar básica tanto de Atenas quanto de Esparta.
• Gimnopédia : a dança principal do povo da Lacônia, executada anualmente na ágora de Esparta. Deve ter sido como a ginástica de hoje em dia.
• Geranos (Dança das Gruas) : dançada em Delos. De acordo com Plutarco, Teseu depois de ter matado o Minotauro no Labirinto de Cnosso, na volta para Atenas, parou em Delos. Ali, ele ofereceu um sacrifício à deusa Afrodite e dançou em torno do altar. Essa dança incluía movimentos serpentinos, imitando os movimentos de Teseu dentro do labirinto.
• “Ierakio” : dança feminina, dançada nos festivais em honra da deusa Hera.
• “Epilinios” : dança dionisíaca, dançada no topo dos tonéis enquanto se pisavam as uvas.
• Emélia : a dança da tragédia, realçando os eventos representados no palco. “Kordax”, a dança da comédia, era mal vista, e em geral considerada como indigna de homens sérios. “Sikkinis”, a dança do drama satírico, imitava os movimentos de gatos e era dançada pelos sátiros.
• Himeneu : a dança do casamento. Era dançada pela noiva com sua mãe e amigos. Era rápida e com várias torções e viradas.
• “Hormos” : de acordo com Luciano, uma dança comum dos rapazes e moças que dançavam um com o outro formando uma corrente. O líder era um rapaz que mostrava suas habilidades de dança e marciais através de seus movimentos. Uma moça o seguia, dando um exemplo de solenidade e decência para todas as outras mulheres dançarinas.
• “Iporchima” : uma combinação de dança e pantomínia (gestos), canto e música. Ela vem de Creta, e era dançada por meninos e meninas juntos, cantando poemas de coro.
Fontes para o Estudo da Dança
Nossas informações sobre a dança na Grécia Antiga são suficientes para nos capacitor a apreciar seu papel na sociedade, mas inadequadas para nos prover com uma idéia de como as danças eram realmente dançadas. Em vez de descrições precisas, temos as escritas analíticas de filósofos como Platão (427-347 AEC) e Aristóteles (384-322 AEC), que deixaram uma literatura elaborada de teoria e crítica de dança. Na verdade, os antigos gregos eram pioneiros na abordagem lógica da dança, classificando seus elementos e, com seu racionalismo único, organizando seus componentes dentro de um sistema unificado.
Vários textos existiam descrevendo danças, classificando-as de acordo com o tipo e explicando suas procedências/origens, mas muito poucos sobreviveram e mesmo estes já eram apenas do final da antiguidade. Eles incluem “O Banquete dos Sete Sábios” de Plutarco (90 EC), “Sobre a Dança” de Luciano (160 EC), “Deipnosophistae” de Ateneu (215 EC) e a “Dionisíaca” de Nonnos (500 EC). Frases e nomes relacionados com a dança, assim como referências a ocasiões de dança ocorreram também esporadicamente nos trabalhos de Homero, Xenofonte, Aristófanes e poetas trágicos. Eis um excerto da Ilíada, onde Homero descreve a representação figurada no escudo de Aquiles. Era uma referência à dança mítica do labirinto, a qual Teseu fez em seu caminho voltando de Creta:
Aqui os rapazes e as mais desejadas garotas
estavam dançando, ligados, tocando o pulso um do outro,
as meninas em trajes suaves de linho…
Treinados e competentes, eles circulavam ali com facilidade
o caminho que um ceramista sentado em seu torno
dará a isso um giro prático entre suas palmas
para vê-lo corer; ou mais, ainda, em linhas
como se fossem fileiras, eles se moviam em outro:
mágico.
Os vários fatos recolhidos dos textos são suplementados por pouca informação sobre a música e a métrica dos antigos gregos, através de representações de dançarinos em vasos e relevos, por estudos comparativos da dança em outras sociedades. Pinturas e desenhos em cerâmica, murais etc têm sido preservados e revelam informação sobre o estilo e as formações de dança. Eles também provêm informação nos costumes da dança, joalheria, e objetos que eram segurados durante a dança.
Por exemplo, há representações de homens e mulheres dançando com objetos em forma semelhante a colheres. Esses objetos e a forma dos dançarinos segurarem-nos lembram muito a dança de colheres que as pessoas da área da Capadócia (Ásia Menor) ainda fazem até hoje.
Uma fonte básica de informação dos ritmos de dança vem da métrica da poesia grega antiga. Nas linguagens antigas, tais como grego, latim e sânscrito, a métrica musical é baseada na métrica poética, determinada por sílabas longas e curtas. Portanto, ao reconhecer esses ritmos, podemos ter uma idéia sobre os ritmos de suas danças.
Sobre a música e os instrumentos utilizados pelos antigos gregos, veja o pdf (em inglês) "Music of Ancient Greece", clicando AQUI.
Blog Ecológico de uma Mulher Bem-resolvida, rsrs
Mais dois selos vindo da Lu, desta vez do Germinando:
"Germinando é um blog que como base é movido pelo apreço a atitudes,
ações ecologicamente corretas. Este selo trasmite esse conceito."
e
nunca terá uma fração desse tipo de coisas" [que o iniciado tem].
(Hino Homérico II, a Demeter, l.481)
Estamos em dias de Mistérios Maiores de Elêusis. Mistério e místico provavelmente vem da palavra myein (iniciar). Uma iniciação é um mistério no qual você entra de olhos fechados (por não saber o que ali vai acontecer) e sai de boca fechada (por não poder contar o que presenciou).
Apesar de nesse festival da Grécia Antiga a participação não ser exclusiva - você poderia ser homem, mulher, livre, escravo, grego, 'bárbaro' - e de haver liberdade de culto - você podia ser devoto de deuses estrangeiros que isso não era considerado heresia -, o fato de só quem passasse pelos Mistérios Menores pudessem virar mystai (iniciado) nos Maiores fazia com que seus membros se sentissem como uma espécie de elite espiritual. Diferentes classes sociais e culturas se igualavam nesse sentido, o que é muito semelhante a outras escolas de mistério e sociedades secretas das quais ouvimos falar.
Mas mistério é diferente de segredo, segredo é apenas algo que não se conta (ou deixa-se de ser segredo), enquanto que o mistério é preciso de experiência direta para conhecê-lo. Mesmo que você conviva com ele, não seria capaz de compreender se não o experimentasse.
Uma das poucas coisas que sabemos dos mistérios eleusinos é que eles tinham algo a ver com morte e ressurreição. Provavelmente o morrer para a vida material e renascer para a espiritual. Havia um momento em que se celebrava a continuidade da vida após a morte com os gritos de Ye (chuva) e Kye (nascimento), ou seja, "flua e conceba", "chove e traz frutos", a chuva fertilizando a terra, algo que morre para outro algo nascer (a nuvem se desfazendo e a semente brotando, ou a semente morrendo para a planta nascer).
Além de ser um festival para as Duas Deusas (Deméter e Perséfone), temos a participação de Dionísio - como não deixaria de ser, já que ele é bem a imagem de um deus do renascimento. E aí me vêm à cabeça algumas coisas que andei lendo sobre Ele. Nonnus menciona da relação de Dionísio com a lua, Selene, de como ela é capaz de deixar as pessoas enlouquecidas ("lunáticas") como fez com Pentheus (inimigo do deus), de uma forma que lembra o arrebatamento, o entusiasmo das mênades. Diz-se também que Selene tinha uma carruagem puxada por touros brancos, animal comumente relacionado a Dionísio. As manchas da lua, inclusive, poderiam ser cicatrizes em sua diadema, resultantes da sua batalha contra o gigante Tifeus.
Em tempo, entusiasmo vem do grego (pra variar, rsrsrs)
enthusiasmós: en (em, dentro) thu (de theos = Deus) e mos (que indica substantivo), ou seja, o ato de ter um deus dentro de si, de ser tomada por um deus. Esse é outro mistério que só experimentando para entender. E, por isso, por não ter como exemplificar a sensação que é, não me resta mais nada a dizer aqui. Talvez só esperar que você já tenha se 'entusiasmado' para saber o que é, e celebrar "Dio" e as Duas "Deas" comigo...A Lu do Crianças Pagãs presenteou o Sofá com este selo fofo:
E eis aqui minhas respostas ao meme que vem junto dele:
Música mágica: todas do Daemonia Nymphe
Filme mágico: Da Magia à Sedução
Viagem mágica: Grécia
Arte mágica: dreamsofgaia.com
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Pé no sofá
Iniciativa do blog da Miss Kleo; porque devemos caminhar na direção de nossos sonhos...
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