26.4.10

Xrónia Pollá

Postado por Alexandra Oliveira |

Sexta-feira 23 foi meu aniversário. Logo, resolvi postar sobre os motivos de como nós (seres humanos) costumamos comemorar essa data.

A crença de que a fumaça era uma boa forma de fazer suas preces subirem aos céus e o aroma do incenso ou da comida ofertada ao fogo agradaria aos deuses pode ter dado origem à tradição de acender velas sobre o bolo de aniversário. Talvez daí também venha o ato de se fazer um pedido antes de soprá-las, afinal, a fumaça só surge quando as apagamos.

Apesar de o bolo com velas ser registrado como algo que surgiu na Alemanha do século XIII, nas festas infantis (kinderfeste), sua origem - como tudo, claro, rsrsrs - é da Grécia Antiga. O bolo em si foi evolução de um preparado de mel com pão que os devotos de Ártemis levavam para ela em Éfeso. O bolo era redondo como a lua (Ártemis é uma deusa lunar) e as velas simbolizavam o luar que ilumina a terra. Ártemis também é a deusa dos nascimentos, partos, crianças, então é natural que os bolos de aniversário sejam mais frequentes nas festas infantis.

Agora, sem ter lido nada parecido em lugar algum, eu arrisco dizer que a história de o aniversariante dar o primeiro pedaço a quem lhe é mais caro lembra-me demais Héstia, a quem os helenos ofertavam sempre o primeiro e o último de tudo o que comiam e bebiam, além de fazer libações ao Agathos Daimon (o Bom Espírito). Assim, a gente escolhe se perguntar quem seria o Bom Espírito (ou a boa alma) que merece uma homenagem nossa no corrente ano.

Portanto, de hoje em diante, quando vocês estiverem presentes em um aniversário, lembrem-se dos gregos, lembrem-se de Ártemis, lembrem-se de elevarem seus pensamentos e preces aos deuses na hora em que as velas se apagam, e não se esqueçam de dar a Héstia a sua devida porção. Quando assim fazemos, qualquer mínima refeição pode virar um belo de um Banquete...

5.4.10

De Volta para o Futuro

Postado por Alexandra Oliveira |



Difícil para uma nômade falar de lugar preferido, pois cada cidade tem aquele cantinho que eu não deixo de visitar toda vez que passo por ela, ou aquele recanto que tenho vontade de conhecer na primeira vez que chego em uma. E - para falar a verdade - eu normalmente visito mais pessoas do que lugares. É o lugar no coração delas que eu vou lá para cuidar e não deixar que ela esqueça que me tem dentro. Afinal de contas, o melhor lugar do mundo é aquele em que estamos em boa companhia, seja de outros ou de nós mesmos com o sagrado.

Mas tudo bem, vamos escolher lugares físicos...

Eu poderia falar de lugares que me trazem lembranças, como o rio onde eu pescava com meu avô, ou a cidade onde eu tinha fãs e professores que diziam que eu tinha futuro na música (um futuro que eu deixei pra trás). Poderia também falar de lugares bonitos ou experiências malucas, os acampamentos, as aventuras arriscadas. Ou poderia falar dos lugares imaginários pra onde me reporto quando preciso tirar férias do mundo real. Também poderia falar do meu Mundo Xamânico. Ou poderia dizer que o melhor lugar do mundo - aquele em que podem me deixar largada e trancada por horas lá dentro - ainda é uma biblioteca. Porém, não vou falar de nada disso. (E também não vou falar que é a Grécia, rsrs!)

De qualquer forma, já que é difícil escolher, vamos nos ater ao texto que seguia o tema.

A pergunta da proposta era para onde meu pensamento foge, para onde tenho vontade de ir quando desejo largar tudo. E, quando se trata de largar tudo, eu com certeza não iria para um lugar de memórias do passado, porque largar tudo - para uma taurina com gêmeos e outras doidices no mapa - é largar TUDO mesmo. Tirando as horas em que a vontade é deixar o corpo e ir ao Hades ou onde for que me esperem no além, o lugar que eu amo é aquele em que eu vou estar sozinha e feliz no meu futuro. Sim, eu amo 'estar sozinha', e isso não tem nada a ver com 'ser solitária'. Ao contrário, eu quero exatamente estar num lugar que seja superpovoado, onde eu possa sentar em uma praça pública e observar as pessoas. Onde eu possa dizer bom-dia para desconhecidos, pedir informações na rua (mais para fazer alguém me olhar do que propriamente por estar perdida) e estender a conversa com uma alma de energia boa que vier falar comigo. E poder me despedir e sair dali, ir e voltar quando eu quiser, sem ter que fazer relato nem perguntar ou responder nada. (Depois, eu tranquilamente iria me afastar do mundo para meditar e pensar nele.)

E quero que esse lugar tenha borboletas. Pra mim, um lugar sem borboletas é um lugar sem alma.

O lugar (espaço) que eu amo fica no futuro (tempo). O lugar que eu amo é na quarta dimensão. Minha ágora (comércio, matéria) é agora, e meu templo (sagrado, espírito) é em outro tempo. Um dia eu vou pra lá, eu vou por lá, e nesse dia estarei amando esse lugar. Até encontrar uma outra estrada virtual para saltar...


Participe!

Beam me up, Scotty!

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