29.7.10

Direito (e dever) à vida

Postado por Alexandra Oliveira |

Em época de eleições e questões polêmicas, resolvi dar uma olhadinha em como eram essas questões pra 'nossa gente' da antiguidade. Fazendo tal pesquisa, confirmei que não havia proibição social na Grécia Antiga contra aborto, suicídio ou pena de morte, mas temos que lembrar que também não era proibida a escravidão, então não trata-se de simplesmente 'imitar' como era.

Com relação ao aborto, ele era legal, desde que o esposo ateniense desse o consentimento para a esposa fazer um. A proibição de Hipócrates contra usar um pessário (espécie de 'supositório' vaginal) para induzir o aborto não era por questões morais de se o feto era uma pessoa, mas sim uma preocupação com a mãe. Só existe uma evidência da religião falando contra o aborto: um santuário de Ártemis na Ásia Menor que proibia a entrada de mulheres que tivessem usado um pessário. Mas, mesmo assim, poderia ser algo mais a ver com miasma do que com crime ou transgressão.

O que podemos fazer hoje em dia é pesar os argumentos éticos dos lados envolvidos e deixar a consciência nos conduzir. Nesse caso, haverá diversas opiniões entre os helênicos. E é assim que eu advirto que o que virá a seguir é baseado no entendimento que tive de algumas leituras de escolas de mistério.

Quero falar especificamente do suicídio, que é a única coisa que eu não me admitiria fazer gratuitamente em circunstância alguma. Por "gratuitamente" entenda-se uma situação em que eu não tivesse que escolher entre a minha vida e salvar a de alguém, na qual iria preferir salvar a da outra pessoa (inclusive para não passar o resto da minha pensando que poderia ter evitado aquilo). Fora isso, por mais sofrimento que eu enfrente aqui no mundo (que já não foi pouco), não me vejo no direito de decidir que/quando ele vá acabar por supressão da minha vida física.

Então eu encontrei um motivo pelo qual seguidores dos Mistérios gregos eram contra o suicídio. Eles baseavam-se no mito em que os Titãs desmembraram Dionísio.

Esse mito conta que os Titãs atraíram Dionísio/Baco distraindo-o com sua própria imagem em um espelho e o desmembraram em pedaços que foram fervidos na água e tostados, para serem comidos. Atena teria resgatado o coração do deus assassinado e reconstituído-o em toda a sua glória. Zeus então fulminou os Titãs com seu raio e dessas cinzas teriam surgido os seres humanos. Como os Titãs tinham devorado parte de Dionísio, seus corpos também continham um pouco da vida do deus. Portanto, os seres humanos eram feitos em parte da matéria mundana titânica e em parte da matéria divina dionisíaca.

Dessa forma, aquele que tenta se auto-destruir ergue sua mão contra a natureza divina que traz dentro de si, este corpo humano que é jazigo de um deus retalhado e que deve ser preservado com o maior cuidado.

E é assim que cada dia mais me vejo em consonância com o caminho que escolhi, pois o povo grego antigo partilha dos mesmos pensamentos e valores que desenvolvi das minhas percepções e entendimentos... da vida e do mundo.

20.7.10

elefante, o elevante

Postado por Alexandra Oliveira |

Este texto não vai ter um começo decente nem um propósito muito específico. É simplesmente resultado de eu ter um elefantinho de pelúcia e gostar de Ganesha, o que me deu vontade de falar da simbologia do elefante como imagem de sabedoria.
Mesmo sendo grande, o elefante toma cuidado para não pisar na trilha das formigas. (As pessoas verdadeiramente grandes não pisam nas pequenas.)

Os olhos do elefante são pequenos e as orelhas são enormes. (As pessoas não deveriam ligar para o que vêem - a aparência ilusória - no mundo externo, mas compreender o que ouvem e saber ouvir.)

O elefante caminha pausadamente, mas, quando a manada chama, ele sai correndo e arrasando tudo pelo caminho. (Quando a voz da unidade com o universo nos convoca, não deve existir nada no mundo material que sirva de obstáculo para deter nossa corrida.)

Sua tromba demonstra a alta sensibilidade - e sensitividade - a cheiros/estímulos, abrindo-se a energias e mundos que, de outra forma, seriam inacessíveis. (Aliás, já escrevi neste blog sobre as propriedades do nariz como o lugar que interage o interior com o exterior, veja a postagem clicando AQUI.)

Geometricamente, o elefante é uma esfera sobre quatro pilares, que dizem ser similar à estrutura do cosmos. Além disso, suas orelhas são meio triangulares e sua tromba é um arco como a lua crescente.

A palavra "elefante" vem, claro, do grego (rsrsrs) ἐλέφας, que significa marfim.

Na Índia, existe Hastinapura - cidade (pura) dos elefantes (hastin) - que é chamada também de cidade da sabedoria. É ela que é disputada pelos exércitos dos Kuravas e Pandavas no Bhagavad Gita.

O elefante também era montaria de reis.

A ioga associa o elefante ao chakra muladhara, de elemento terra, a base, a raiz, o centro.

Quando eu era pequena, adorava a música do passo do elefantinho: "Quando ele nasce já é forte, mesmo grande é tão engraçadinho; é bom, traz sorte! Trate com carinho tudo aquilo! O fiozinho do seu cabelo é bastante para conduzi-lo. Veja como ele é bonitinho! Olha o pêlo dele como brilha! Lá vai, na trilha. Olha o passo do elefantinho! No circo em festa ou na floresta, ele é sempre o bicho mais bonzinho." E agora achei a musiquinha. Quem quiser ouvir, tem ela clicando AQUI.

Um elefante pode incomodar muita gente, como diz outra canção, mas a mim não. Sem contar que é infinito o número de elefantes que "se penduraram numa teia de aranha" e viram "que a teia resistiu" (outra musiquinha).

E é uma pena que um símbolo que ensina tanto seja considerado um xingamento no ocidente...

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