Às vezes as pessoas acham que seguimos o calendário ao contrário, por estarmos no hemisfério sul. Mas pense como ele também faz sentido pra gente! Nas próximas duas semanas, as últimas de março, teremos a Elaphebolia de Ártemis, a Asclepieia e a Dionísia Urbana, com o outono chegando.

Outono...

Vem Dionísio, fornecedor da vinha, portador do tirso, enriquecendo-nos de frutos deliciosos, sementes de êxtase, brotos de liberdade; trazendo o mistério atrás das máscaras, o primeiro beijo que aquecerá o inverno, a fantasia em meio a colheita...

Vem Ártemis, caçadora, da lua crescente, que cuida da juventude, com toda a graça das folhas que caem e não das flores que nascem (como seria com Perséfone); é o momento da colheita das frutas, e Ártemis é deusa do nascimento, trazendo nova vida ao mundo; a Kourotrophos, que era procurada junto a Asclépio ao se pedir por um bom parto...

As cores do outono em muito combinam com as da lua crescente.
Os grãos do outono são as sementes da primavera.
A vida é algo que nunca morre, apenas se reencena - como o deus do teatro, renascido duas vezes - e uma coisa completa a outra.

Nas raízes, nos ventres, nas sombras, tudo onde só vemos o escuro e o escondido, no fundo está repleto de vida, uma vida que se prepara para nascer.
É fechando os olhos físicos que costumamos enxergar mais além.

E era assim que Asclépio curava, durante o sono, no sonho, na companhia da serpente - tão ctônica. Com ele, espera-nos alguém para nos acompanhar. Alguém que depois descobrimos ser nós mesmos. Nosso outro lado, quiçá o de dentro; aquele sábio que completa o tolo, e que se libera de sua racionalidade para vir dançar conosco nas sombras, na luz, na chuva. E ele traz a solução para os nossos males da alma e enfermidades do corpo.

Como um serpentino de Asclépio, o corpo entra na dança e o espírito entra em transe. Das árvores caem as folhas, mas da terra se erguem as forças de renovação.

Se eu sigo a pólis ou o equinócio, é o de menos. O que eu sigo mesmo é o movimento dos deuses...

3 comentários:

Jota Olliveira disse...

Ai amor...
Vc sabe que esse lance de luz e sombra, a vida contida e escondida me lembrou um papo que tivemos na minha aula de Patrimônio, Museu e Turismo Cultura, onde falamos sobre o Centro de São Paulo e como por mais que ele não tenha a vida que desejávamos, sim, ele tinha vida... movimento... ruim, bom? Socialmente ruim... mas que faz parte de um jogo de luzes e sombras... Enfim... acho que o medo do escuro vem da sensação de que há um vida lá que não conhecemos... Seja uma vida bohemia, sexual, religiosa ou o que seja, as sombras nos acolhem e nos protegem ;)

Amei ;) BJao

Filhote de Lua disse...

Os grãos do outono são as sementes da primavera.
Isso pegou muito aqui, amore.

Sabe, volta e meia volto aqui, pra essa frase.

Espartana disse...

Os grãos do outono são as sementes da primavera.
=) chuac

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