26.4.09

Divagando (sobre sacrifícios)

Postado por Alexandra Oliveira |

Estive pensando nas várias formas de se fazer sacrifícios. A palavra costuma carregar um sentimento de fardo, de fazer uma coisa chata ou ruim em prol de algo maior. Mas eu prefiro pensar nela no sentido de "sacro ofício", trabalho sagrado, de sacralizar alguma coisa, usar algo como maneira de agradar o divino e de nos iluminar.

Não há meios mais fáceis ou difíceis de se fazer sacrifícios, isso depende de cada pessoa, para alguns é mais fácil abrir mão de algo físico, para outros é mais fácil queimar ofertas num altar no quintal, mas tudo é digno. O sacrifício muitas vezes demanda certa "dor" e causa mudanças em quem somos e no tipo de relacionamento que temos com as deidades. Quanto mais difícil de fazer (afinal, se sacrifício fosse fácil, todos estariam fazendo, e não veriam a palavra com essa conotação tão custosa) e quanto mais feito com o coração, mais válido ele se torna.

Nós podemos sacrificar (tornar sagrado) nosso tempo, nos disciplinando em utilizá-lo para uma prece ou rito, por exemplo, com toda a atenção na execução dos mesmos. Podemos cuidar do nosso corpo, já que estarmos saudáveis influencia na nossa disposição para as coisas que precisamos realizar em favor dos deuses. Podemos aceitar certas coisas que não conseguimos mudar (e oferecer isso a Eles) simplesmente porque elas não deveriam mudar e um dia entenderemos porque tinha que ser assim. Enfim, há vários tipos de sacro-ofício.

É bom lembrar que não se trata de fazer algo desconfortável ou inconveniente, porque fazer algo pelos seres que tanto nos deram coisas boas nunca será desconfortável ou inconveniente. Nós o realizamos felizes, pois sabemos as recompensas que recebemos dEles, as quais - na maioria das vezes - vêm de onde menos esperamos. E essas coisas acontecem porque fazemos nossa parte.

De certa forma, sacrifício tem a ver com deixar de lado sentimentalismos, egos, desejos, caprichos, e colocar as deidades no centro da sua vida, permitindo que todo o resto flua a partir desse centro, que é sagrado.

E o legal disso é que os deuses não vão ficar pensando que você está dando presentes demais, que você está sufocando Eles, que está com segundas intenções egoístas ou algo assim. [Até porque sabemos que Eles não precisam de nossos presentes e que os presentes não Lhes serviriam como pagamento de nada, o importante é a intenção dentro do nosso relacionamento com Eles.] Mas é como falei, precisamos fazer a nossa parte, não apenas esperar que tudo venha deles e responsabilizá-los totalmente pelo que nos acontece.

Aliás, é preciso lembrar que, por serem reais (e não apenas arquétipos ou seres imaginários), Eles têm gostos e vontades. Eles não são sempre os mais legais e nem sempre fazem muito sentido para nós. Às vezes nos debatemos tentando entender incongruências nas coisas que Eles nos trazem e/ou dizem. Principalmente entre si, quando um espera de nós uma coisa e o outro espera que façamos o oposto (vide o caso de Orestes). Tem horas que a gente simplesmente não pode recuar e tem que tomar uma atitude ou decisão. Só que o resultado pode ser uma surpresa... e bem satisfatória, por sinal.

Chega a ser perigoso você achar que os deuses são sempre bonzinhos e nunca irão te forçar a nada, porque assim você não se prepara e provavelmente vai ver muita coisa como "falta de sorte". As coisas sagradas não são sempre compreensíveis e seguras. Assim como torná-las sagradas (pelo sacrifício) não é algo que nos dê certezas.

Acho que eu mesma devo ter parecido meio incongruente durante esse texto - deve ser a convivência com Eles, hehehe! Mas enfim, acabei postando assim mesmo, talvez sirva-nos de reflexão para alguma coisa.

4 comentários:

CHRISTINA MONTENEGRO disse...

Eles são, sim; frequentemente.
Mas você não foi inconguente, não! Texto lindo!
BJS!

Nat Sciammarella disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Nat Sciammarella disse...

Muito bom....nem um pouco incongruente!!
Só to levando puxão de orelha com os seus textos!!

Dinha disse...

Nossa, tanta coisa pra ler aqui, mas esse tive que comentar, porque realmente eu estou sempre falando coisas semelhantes... "Acho que os deuses estão doidos ou confusos", ou "Acho que nem os deuses sabem o que Eles estão fazendo" e assim por diante. Mas, é bem isso que acontece mesmo... Eu mesma estou num momento onde sinto que os deuses querem que eu faça algo e eu não sinto nem um pouco de vontade de continuar persistindo nisso... Aì fico o tempo todo questionando: "Como isso?" "Por que isso?"... Mas, nem sempre as coisas devem ser do jeito que queremos que sejam...

Nossa, Alex! Como vc escreve! Às vezes parece que fica olhando para as coisas que eu preciso saber numa bolinha de cristal... rssrrs

Beijos

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