29.6.12

Máximas Délficas (parte 3) - Autoridade e Poder

Postado por Alexandra Oliveira |


Seguindo a lógica das postagens, falamos de riquezas e posses, o que tem muita relação com o poder e a autoridade, uma vez que tratamos de que o mal está nos excessos, e isso permeia este novo grupo de máximas, que inclui uma vigilância contra o orgulho excessivo, a arrogância, o desrespeito, a ganância cega por riqueza e poder.


3. Respeite os Deuses (Θεους σεβου)

'Sebou' é a forma imperativa de 'sebas' (respeito), então a Máxima diz que devemos respeitar os deuses, todos eles - sem especificar nome, origem, raça, cultura ou credo.
Os antigos respeitavam os deuses alheios, embora se tratasse de um respeito muito mais de estado mental do que de uma ação em si. Os problemas que temos com as outras religiões não é com os deuses delas - os quais devemos respeitar - e sim com as pessoas. Mesmo os questionamentos que fizemos da atitude do deus da bíblia se refere a escritos feitos pelos homens, que o descreveram daquela forma. A ação dos seguidores daquele deus não necessariamente refletem a vontade dele. 

42. Tenha respeito pelos suplicantes (Ικετας αιδου)

'Iketas' é uma forma plural que vem de 'ikesia', mesma origem de Zeus Ikesios e Zeus Iktaios, o patrono dos suplicantes, o deus que realiza os pedidos de justiça e proteção. Essa súplica não é um apelo geral e indiscriminado por ajuda, mas sim um pedido de se preencher uma necessidade imediata que é dirigida diretamente a alguém que está na posição de ajudar o suplicante. Recusar-se a atender os 'iketis' ou 'iketria' é uma contravenção que leva ao erro ('hamartia') e à poluição ('miasma') a quem recebe e ignora o pedido. A súplica está ligada às leis filantrópicas da hospitalidade ('philoxenia'). Já 'aidou' é o imperativo de 'aidos', a sensação de vergonha, de ser honrável, virtuoso, ter digna auto-estima, sentir respeito e dignidade. O oposto disso seria o 'anaideia' (desaforo, descaramento, desrespeito). Trata-se de uma consciência ética interna adquirida pela compreensão do nosso dever social, e não de uma lei que te força a agir de forma ética. Já falei da relação de Aidos com o amor e a decência ('kosmiotita') aqui, agora lembro da relação que Aristóteles faz de Aidos com a boa ordem ('eutaxia') e a prudência ('sophrosyne'). "Iketas aidou" nos ensina a não envergonhar os suplicantes e garantir que o devido respeito seja dado a eles.
Agora entra a questão de quem é um 'iketes', uma vez que para algumas pessoas mendigar é uma profissão e para algumas entidades assistenciais a caridade é lucrativa. Quais seriam então as coisas que poderíamos observar? Primeiro se o pedido vai para alguém que esteja em posição de ajudar (você pode ajudar e a pessoa está sendo sincera em pedir o que precisa?); segundo sobre a melhor forma de ajudar sem necessariamente ser o que foi pedido (por exemplo, alguém te pede dinheiro que você não sabe se é para comprar álcool e aí você prefere dar um lanche pra ele; ou você resolve o problema imediato da fome e causa o problema maior da dependência à ajuda dos outros, o que não seria uma solução para a súplica). Se você não está em condição de ajudar, piedade não é respeito; o verdadeiro respeito começa com o respeito próprio, reconhecer suas limitações e poderes. Até porque, grande parte das vezes, a solução para os problemas sociais é muito cara ou irreal.
Não precisamos entrar aqui em discussões políticas sobre o sistema. De qualquer forma, como é muito difícil saber com quem estamos lidando, é melhor tratar a todos com respeito. Acredito que, na maioria das vezes, a gente sente quando deve e quando não deve ajudar, e - nas vezes que, por costume, nos recusamos a ajudar e acabamos nos sentindo desconfortáveis - isso já é um sinal de que estávamos seguindo nossa intuição. No mais, é se colocar no lugar do outro, pois só assim vamos sentir e saber quem está realmente precisando e suplicando por meio dos deuses ou quem está apenas tentando se aproveitar e acomodado ao assistencialismo alheio.

48. Seja um amante/amigo da sabedoria (Φιλοσοφος γινου)

'Philosophos' todos sabem que significa amante ou amigo ('philos') da sabedoria ('sofia'), palavra cunhada por Pitágoras. 'Ginou' é o imperativo do verbo 'gignosko' (tornar-se). Então, "torne-se um filósofo" não significa que é para você fazer faculdade de filosofia, e sim que você se transforme em um amante/amigo da sabedoria, alguém que a busca. Através do acolhimento da sabedoria, surge a compreensão e o respeito pela ordem natural, por isso incluímos esta Máxima no grupo - porque a ausência de sabedoria (quando não a reconhecemos ou não a aceitamos) é o que leva à insolência e ao desrespeito aos Deuses. Às vezes as pessoas respeitam as coisas sem ter consciência, sem saber o que estão fazendo. Um amigo da sabedoria precisa estar consciente dos seus motivos e da sua posição, precisa estar sempre questionando as coisas em vez de aceitá-las como sempre foram. Um filósofo é, acima de tudo, um buscador da verdade. Ele vai testar a autoridade conferida e respeitar a verdadeira autoridade. Em todos os momentos há formas sábias e formas tolas de se abordar algo - precisamos escolher o jeito mais sábio. Obedecer cegamente não é sábio, a sabedoria não acontece no vácuo, ela surge da reflexão. Nosso ditado "manda quem pode, obedece quem tem juízo" serviria para pensarmos que respeitar a verdadeira autoridade (quem realmente "pode") é um sinal de racionalidade ("juízo"), nesse sentido filosófico.

53. Consulte os sábios (Σοφοις χρω)

'Sophois' se refere ao plural de pessoas que são sábias e prudentes, e 'khro' é o imperativo do verbo 'khrao' (prover com o que é necessário). Por conta de frases do tipo "khromeno en Delphis" (consulte o oráculo), de Tucídides, e "oi khromenoi" (os consulentes), de Eurípides, podemos traduzir como "consulte os sábios". Além disso, prover os sábios com o que eles precisam seria pensarmos que o que eles precisam é justamente compartilhar a sabedoria, pois - como amigos dela - queremos mais é que ela esteja em toda a parte. 
A grande questão é como reconhecer quem é sábio. Todo mundo tem alguma coisa para ensinar, muitos tem bastante conhecimento, mas poucos tem sabedoria. De qualquer forma, podemos pensar na ideia mais socrática de considerar aqueles que já passaram pelas mesmas coisas antes, e podemos consultar sua experiência no assunto que abordamos. Em Esparta, se não me engano, existia um juramento ('orkos') que cada jovem ('ephebos') fazia para ser introduzido na irmandade ('phratria'), no qual se incluía a promessa de preservar o que eles tinham recebido como herança e de garantir que eles não passariam menos do que aquilo para a próxima geração. Ou seja, os mais novos sempre recebiam ou igual ou maior porção de conhecimento, pois o tempo havia ensinado aos mais velhos mais do que eles tinham aprendido ao ingressar na comunidade, e era dever dos mais jovens aprender ainda mais antes da próxima geração.
Se consultamos os sábios, é também por conta da autoridade que eles têm, uma autoridade que vem não de hierarquia imposta/concedida, mas de experiência adquirida, uma autoridade natural, pelo direito dos anos como buscador da verdade e amante da sabedoria. E eles têm o poder de ajudar quem lhes consulta.

65. Honre quem é bom (Αγαθους τιμα)

'Agathous' vem do termo 'agathon' que a filosofia define como aquilo que é bom em termos do que é benéfico. Já falamos do 'agathós' no blog dos exegetas. 'Tima' vem de 'timé' (honra) e 'timao' (honrar), normalmente usado para denotar a honra dirigida aos deuses, ancestrais, anciãos, governantes, convidados e outros superiores. Então a Máxima nos diz para dar a devida honra aqueles que são bons, que são beneficentes, que trazem benefícios.
Ou seja, não é qualquer uma dessas pessoas que a honra/timé denota, mas apenas aqueles que são mesmo benéficos para a comunidade, os realmente bons/agathoi. A gente sabe que grande parte dos governantes atuais não são benéficos - são aquilo que falamos sobre os corruptos, anti-éticos, interesseiros e inescrupulosos na postagem anterior; aqueles que excedem a justa medida.

109. Tema o poder/autoridade/governo (Το κρατουν φοβου)

'Kratoun' vem de 'kratos' (força, poder), independente de ser um poder dos deuses, do governo ou do poder pessoal, tanto que é a origem da palavra 'demokratia' (governo do povo) e virou nome de personagem fortão de videogame. 'Phobou' (tema, tenha medo) é o imperativo de 'phobos' (medo), o mesmo que dá nome a um dos filhos de Ares. O uso dessa palavra em vez de 'deos' (temor no sentido de reverência, admiração) acentua a força da atitude. Não se trata, portanto, de admirar e reverenciar a força/poder/autoridade (ou governo), e sim de temê-los mesmo. 
Podemos tirar várias reflexões dessa Máxima. Uma é que o poder é algo potencialmente perigoso, então há razão em temê-lo. Outra é que devemos escolher com sabedoria o que tomaremos como autoridade e ficarmos atento de que, ao transformá-lo numa autoridade, estamos lhe conferindo poder e passaremos a temê-la (o que, a meu ver, só os imortais seriam dignos de tal aceitação, e alguns humanos só depois de escolher com muito cuidado através da observação de ser alguém virtuoso em conhecimento, prática e sabedoria). Outra reflexão ainda é de que deveríamos evitar nos tornarmos autoridades, uma vez que o verbo 'fobomai' remete também a 'fugir de', então estaríamos fugindo (não da responsabilidade, mas) de sermos autocratas ou tiranos.  
Acredito que podemos olhar essa Máxima lembrando da que comentamos anteriormente: "honre quem é bom". Existem bons e maus governos, boas e más pessoas no poder, e o mais sábil é desenvolver um medo saudável, aquele mesmo medo que temos de nos queimarmos que faz lidarmos com o fogo de uma maneira segura. Governos e autoridades são coisas necessárias (como necessitamos do fogo) e o poder pode ser algo perigoso (como o fogo), por isso a cautela -- não a admiração ('deos'), mas realmente o temor ('phobos'), um "medo" saudável e seguro.

130. Não comece a ser insolente OU Não seja abusivo com a autoridade (Μη αρχε υβριζειν)

'Arkhe' tanto pode ser derivado do verbo 'arkho' (governar, supervisionar) quando da palavra 'arkhé' (começo, princípio). Elas são parecidas no sentido de supervisionar que as ofertas sejam as dos primeiros frutos e no sentido de a primeira causa ser a que domina e tem autoridade sobre as outras. Todas as teorias sobre o princípio de tudo (para Anaxímenes o ar, para Xenófanes a terra, para Heráclito o fogo, etc) concordam que a primeira causa está no 'kosmos', é parte dele, uma vez que o que está fora do cosmo é desconhecido para os humanos. Sócrates se perguntou "o que é 'arkhe' e como isso funciona uma vez que funciona como um princípio?" Para Aristóteles, o 'arkhé' é sempre divino, devido à sua capacidade de se auto-gerar e auto-sustentar e das coisas se originarem dele. 'Ybrikzein' é a forma imperativa de 'hybris', uma insolência ou impertinência de sentimentos exagerados de poder, que resultam na transgressão do 'métron' (justa medida) através da arrogância, ganância, excesso, perseguição cega por riqueza e poder. A 'hybris' é uma audácia e um desrespeito desavergonhado pela ordem ética do cosmo. Trata-se de um desprezo pelos deuses ('theoi') ou de uma violação das leis da natureza ('physis'). A híbris traz vergonha para a vítima, não por punição, mas porque - ao restaurar o equilíbrio do cosmo - o transgressor recebe em retorno a porção de disciplina e consciência que lhe faltou. Essa restauração é feita pela deusa Nêmesis, personificação da revanche, da vingança. Então, se pensarmos em autoridade e na primeira causa de tudo, podemos dizer que a Máxima lembra daqueles que pensam que tratando mal os outros vão garantir sua superioridade sobre eles, quando na verdade vão é atrair uma reparação sobre si. Não comece (arkhe) a transgredir (hybris), abusando (hybris) da verdadeira autoridade (arkhe), pois a origem das coisas está no cosmos divino e não em você. Para quem está familiarizado com os conceitos da 'hybris' (transgressão) e da 'arkhe' (origem divina das coisas no 'kosmos'), poderíamos entender essa tradução como "não cometa híbris com as primeiras causas" ou "não seja insolente com a autoridade dos deuses".
Existe uma distinção entre a híbris no sentido comum, no termo jurídico e no termo filosófico. Para a filosofia, a híbris é o que foge do métron, do padrão, e os excessos são reconhecidos ao examinar a causa da híbris. No senso comum, a híbris é qualquer insulto. No sentido jurídico, a híbris é a violação de normas sociais motivada por arrogância sem a devida causa. A híbris poderia ser vista como um "erro fatal" que inicia um processo de eventos trágicos como consequência. Porém, no sentido moderno, você xingar quem cortou a frente do seu carro na estrada é híbris na língua grega, uma híbris que não guarda o mesmo peso daquela do sistema legal/jurídico daquela da ideia filosófica.
Essa Máxima também poderia ser traduzida como "não seja a causa da hybris" no sentido do uso excessivo e inapropiado da violência que os tiranos fazem ao agir unilateralmente como se fossem deuses. Ser insolente com a autoridade, faltar com o respeito pelo poder, não é sábio porque os irrita ao ponto de eles cometerem atos de híbris. É como sacudir um pano na frente do touro - a não ser que a sua intenção seja mesmo a de irritar o touro para que ele ataque.
Isso, no entanto, é diferente de se opor ao tirano. Você pode se opor à autoridade de alguém sem precisar ser insolente. Há uma diferença entre insolência e desobediência. A híbris é uma "arrogância presunçosa que causa humilhação e vergonha" (Aristóteles), uma ofensa que vai além de um ataque verbal ou de um ato de desobediência. Os filósofos Cínicos, inclusive, achavam que o menosprezo e o insulto eram deveres sagrados contra a hipocrisia e a corrupção, da mesma forma que a sátira desempenhava um papel político importante. É fácil se erguer e criticar o governo ou uma figura de autoridade, mas a tarefa deles não era simples e nem era para qualquer pessoa. Se alguém tivesse verdadeiramente a solução para os problemas da sociedade, ele/a tinha o dever social de se levantar no ofício público e falar, mas aqueles que não tinham solução não teriam o direito de questionar a autoridade. Além disso, é fácil insultar fulano ou beltrano em vez de discutir os problemas reais e encontrar soluções reais para eles. As pessoas só querem ser críticos sentados na sua poltrona; que acham que nada está bom, mas que também não sabem qual seria a solução para os problemas. 
Assim, essa Máxima também pode chamar nossa atenção para as dificuldades em ser uma autoridade nesse mundo e nos fazer questionar o quão realística são as nossas expectativas quando nos sentimos compelidos a criticar ou insultar uma autoridade. Talvez os outros não verão essa Máxima sob essa luz, mas não custa levantar esse pensamento.


Há um diálogo - de um dos sete sábios que compuseram as Máximas - que diz assim:
"Quilon de Esparta (560 AEC): O que Zeus está fazendo?
 Esopo: Ele está rebaixando os orgulhosos e exaltando os humildes."

2 comentários:

Diego Calazans disse...

esse seu texto me tocou bastante porque minha compreensão inicial de algumas dessas máximas estava equivocada. vou fazer um pequeno balanço de minha relação com elas à luz de sua análise:

3. Respeite os Deuses (Θεους σεβου)
- confesso que tenho uma pequena birra com yhvh por conta de seus seguidores, mas não tenho problemas com ele quando o vejo como mais um deus e ignoro o clamor por sua unicidade. resguardo-me o direito de rir dos deuses, como rio dos mortais e de mim, evitando ao máximo a insolência, vendo esse riso como uma proteção contra o fanatismo; é preciso flexibilizar as crenças (não negá-las, mas rir respeitosamente delas) pra evitar que enrijeçam e quebrem na primeira intempérie.

42. Tenha respeito pelos suplicantes (Ικετας αιδου)
- Esse me toca bastante. Eu já conhecia essa máxima antes de me tornar politeísta helênico por causa de uma HQ da Mulher Maravilha. Eu já me incomodava antes quando, por qualquer razão injusta, negava ajuda a quem me pedia. Essa máxima ajudou a dar corpo a meu desconforto. Dia desses um senhor vindo do interior pediu informação sobre uma pessoa do bairro, que eu não conhecia. Informei que não conhecia. Mal ele sumiu de minha vista e ouvi uma voz dizer "é preciso ajudar os viajantes". Isso doeu em mim fundo porque senti que devia ter ido com ele procurar a tal pessoa. Quando vejo gente pedindo de modo sincero me dá uma sensação de que é meu dever fazer algo por elas, mas muitas vezes sinto que não posso e às vezes sinto que simplesmente não quero me meter. Mas o desconforto persiste e sei que terei de lidar com isso cedo ou tarde e começar a ajudar com mais regularidade. Eu costumar interpretar esse desconforto como uma sensação de ação indigna, como se recusar ajuda a quem pede honestamente fosse indigno de mim. Não de mim como alguém superior ou algo assim, mas como alguém que busca agir de modo adequado, na ordem das coisas, segundo a vontade dos deuses. Isso me causa grande angústia porque sinto como um comprometimento integral, como uma cessão de parte de minha existência às necessidades alheias. Mas sinto que essa hesitação é fruto de um egoísmo e de um egocentrismo com os quais preciso lidar.

48. Seja um amante/amigo da sabedoria (Φιλοσοφος γινου) +
53. Consulte os sábios (Σοφοις χρω) + 65. Honre quem é bom (Αγαθους τιμα)
- "A razão dá-se a quem tem". Difícil discernir o sábio do sabido e o bom do semelhante. Mas aí reside o princípio da sabedoria: no discernimento. A sabedoria pede paciência e reflexão. De certa forma ela se opõe à pressa do fluxo alucinante de informações. É preciso reaprender a respirar e a ouvir os deuses. Reaprender o arcaico, o contínuo, o profundo. Sem perder jamais a leveza. É um exercício pesado, mas traz grande recompensa a quem se lançar.

109. Tema o poder/autoridade/governo (Το κρατουν φοβου)
- Fico feliz com o sentido de que se deve temer o poder porque o poder é algo do qual é prudente ter medo. O poder deve exercido na devida medida, com sabedoria e justiça. Mas, mesmo quando exercido de modo "adequado", o poder deve ser temido porque a desmedida é seu estado natural. O poder é um imenso dragão que pode ser muito útil se bem domado, mas que deixado à própria vontade destrói tudo ao redor.

130. Não comece a ser insolente OU Não seja abusivo com a autoridade (Μη αρχε υβριζειν)
- Li esse como um "não seja leviano". Saiba seu lugar. Não esteja nem abaixo nem acima dele. Aja sempre pelo bem comum. Ria do mundo, mas sem esquecer seu lugar no mundo.

Alexandra Nikasios disse...

Diego, obrigada!

Quanto ao poder, a analogia com o dragão é parecida com a que fiz do fogo mesmo.

E eu acho "leviano" muito 'leve', prefiro "insolente" que dá mais peso - e os anglófonos também traduzem por "insolent". Vejo a híbris como um excesso para mais (se achar mais do que um deus), não para menos (não estar abaixo do seu lugar), por isso também acho melhor a escolha de 'insolente'. "Leviano" no dicionário significa apenas "insensato, imprudente, precipitado", e não é disso que a híbris fala - e sim de um orgulho desmedido, arrogância, presunção, excesso que causa humilhação e vergonha.

Abraços...

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