dezembro 16, 2009

Coisas que me dão raiva (parte 1)

Hoje estava conversando com o Thiago sobre uma manifestação dos helênicos da Grécia em agosto passado e resolvi falar aqui sobre isso, já que nem todos leram as notícias relativas ao desrespeito dos cristãos gregos com as outras crenças. (Tudo bem que o assunto surgiu porque vimos um sujeito lindinho no vídeo e resolvemos assistir com mais atenção, rsrsrs!)

Cerca de 200 pessoas, incluindo cineastas, escritores, editores, músicos famosos, se reuniram em frente ao Museu da Acrópole a convite da YSEE (Supremo Conselho dos Gentis Helenos) para denunciar a intervenção da igreja cristã ortodoxa grega na cultura, com suas censuras que causaram desastres nas estátuas.

Já tínhamos comentado no fórum, na época, sobre a depredação do Parthenon, quando Costas Gavras fez um filme sobre a história do Parthenon, onde cenas (que foram sumariamente deletadas) mostravam como os cristãos esmagaram e devastaram decorações esculpidas lá para transformar o templo em igreja por acharem que nas estátuas dos deuses residiam demônios a serem destruídos. A civilização helênica pré-cristã era tachada de "maligna" e "merecedora de ser incendiada e lançada ao chão". Isso são fatos incontestáveis, que ninguém pode negar que aconteceram, embora os ortodoxos fanáticos neguem. Escolas de filosofia foram fechadas, vários livros foram incinerados por monges e bispos, e em muitas igrejas gregas de hoje você vê em suas paredes fragmentos de antigos templos demolidos. O líder da igreja cristã ortodoxa oriental pediu inclusive que o Parthenon fosse convertido a uma igreja cristã para que a celebração do seu jubileu fosse "mais glorioso". No berço da democracia não há sequer liberdade religiosa, e provavelmente a Grécia é o único país da Europa a agir assim, sem um Estado laico, já que o Ministro da Educação é também o Ministro dos Assuntos Religiosos.

Mas, voltando a hoje, o que nos irritou foi o que assistimos no vídeo de uma manifestação feita diante do Museu da Acrópole, pedindo que parassem essa teocracia. O povo fez máscaras superlegais, e fez uma imagem chocante de uma cabeça de estátua chorando sangue. Porque uma das coisas que eles mostram foi como os cristãos entalharam uma cruz na testa e no queixo de uma estátua de Afrodite, destruindo assim uma obra de arte, o item 1762 do museu.

Isso é uma falta de respeito absurda, não só à crença e liberdade de expressão religiosa de outros seres humanos, mas também à arte (à subjetividade, à criatividade, à estética), à criação individual do artista, querendo misturar domínios diferentes da esfera humana e impor o seu.

Quem quiser ver o vídeo, o link é este: www.youtube.com/watch?v=QqsMZJG6xJc e as fotos da manifestação estão aqui: diamartyriaakropoli.

Ainda que o protesto tenha sido há 4 meses, essa é uma questão que já acontece há anos e continua acontecendo e está sendo bem difícil de mudar. Acho que todos se lembram do rolo que foi nas Olimpíadas de 2004 na Grécia, quando fizeram bonequinhos ridículos com nomes de deuses como mascotes e botaram um líder ortodoxo na abertura (onde desfilava-se a história dos jogos que começaram com Zeus) para "reforçar" que aquela parte pré-cristã era tudo mitologia etc e tal.

Sou uma pessoa calma, paciente, mas nunca injusta ou desumanamente passiva. Como diria Milton Nascimento, "não posso, não devo e quero viver como toda essa gente insiste em viver, e não posso aceitar sossegado qualquer sacanagem ser coisa normal".

Fica a minha indignação. Amo a Grécia Antiga, mas a atitude dos líderes de 98% de cristãos da Grécia moderna me dá raiva.

dezembro 07, 2009

Acreditar e ser grata

Um dia desse eu estava conversando sobre esse negócio de explicação racional pras coisas... Desde a época em que fui fazer psicologia que algumas amigas se preocuparam em me ver perdendo a fé para ficar com a ciência, como se fossem incompatíveis. O fato é que, mesmo que você pense que tudo tem explicacao, chega uma hora em que, destrinchando as explicações ao nível mais elementar, em algum momento a explicação vai se limitar a um "é assim porque é assim". E quem fez ser assim?

E mais: se eu escuto algo de um filme que alguém deixou ligado e pensei que era alma, mesmo assim o fato de eu ter ouvido exatamente aquele trecho em particular não poderia ser uma mensagem pra mim em vez de mera coincidência? Talvez o que Jung chama de 'sincronicidade'.

Claro que, se vem um freudiano ou outro ser do tipo, diria "foi sua mente que projetou", mas, se eu não mando na minha mente (como aprendemos das feridas narcísicas), quem manda? Se fazemos coisas que não queremos, se dizemos que "não era eu, não sei o que me deu" porque o inconsciente tinha guardado e vieram à tona, por que algumas coisas ficam e outras não? E por que nos sonhos me surgem coisas que aparecem do nada depois, no dia que as sonhei? Mesmo que cheguemos à explicação dos arquétipos, não tem muita diferença uma marca-antiga (arquétipo) de um deus interior compartilhado.

Aqui eu poderia seguir falando da diferença entre 'tudo ter uma explicação' e 'tudo ter um motivo', mas não vou. Não quero teorizar agora, quero compartilhar experiências.

Eu já tentei não acreditar no que alguns chamam de coisas "esquizotéricas", até porque eu não vejo materializações de espíritos e porque tem muita coisa que me aconteceu que eu saberia facilmente explicar dentro das ciências não-ocultas, mas então me lembro de todas as outras que eu não explico/entendo e me volto novamente para o fato de que me sinto melhor acreditando. Sabe por quê? Porque não me sinto ingrata!

Tem coisas que são 'coincidência' demais, então ignorá-las me parece uma espécie de ingratidão. Imagina se você compra um presente para alguém e a pessoa vira para você e diz "ah, apenas coincidiu de você ter dinheiro e eu estar precisando e consequentemente gostar de ganhar" em vez de ela achar legal você ter se lembrado dela e comprado exatamente o que ela queria... Eu não quero dar uma de mal-agradecida com os deuses/ancestrais/daimons/etc que colocam as coisas no meu caminho.

Acredito que, mesmo que eu abandonasse o politeísmo, provavelmente ainda assim eu seria de algo dos moldes da conscienciologia, que não acredita em deuses mas acredita na consciência eterna, que você tem a mesma consciência que fica reencarnando e a qual é capaz de fazer muitas coisas sobrenaturais/inexplicáveis. E o engraçado é que eles não acreditam que um ser superior criou isso, é como se a consciência tivesse aparecido da evolução/ordem natural ou existisse desde sempre e pronto. Para algumas pessoas que conheço, é incompativel a ideia de um ateu que acredite em reencarnação, mas eu acho que compreendi o mote deles nesse aspecto.

Mas, enfim, o fato é que a vida sem um quê de mistério não faria sentido. A gente só comeria, dormiria, procriaria e bateria ponto no trabalho. Sem nada levar nem nada deixar. Que graça teria isso? Eu prefiro ser tomada por supersticiosa do que por uma ingrata descrente e desprovida de intuição e instinto. É uma escolha minha, um valor que carrego e, para mim, uma virtude.

Álex

IMAGEM: 'Pandora', de Jules Joseph Lefebvre (1882).

novembro 22, 2009

Hermes Noumios/Oeopolus/Kriophoros (o bom pastor)

Minha versão do Salmo 23, feita de última hora depois de ver o mesmo postado em um blog :

Hermes é teu pastor, nada te faltará.
Se precisar, roubará para ti o rebanho de Apolo e se deitará em verdes pastos, tocando mansamente a lira de um casco de tartaruga.
Condutor de almas, ele as guia pelos campos de asfódelos e pelas planícies serenas do Hades.
Mas nada hás de temer, pois é também dele a transformação da alquimia e a abertura de estradas, o deus da travessia e das travessuras.
Seu caduceu e o adejar de suas asas nos confortam.
Levará rapidamente tua mensagem aos deuses e trará deles, na mesma velocidade, as bênçãos que cobrirão de movimento os teus dias.
Por todos os aeons, por todas as eras.
Ésto. Ghénoito. (Assim seja.)

~ Álex, 22/11/2009 ~

novembro 14, 2009

Encomenda

Ontem a Lu Polisel me pediu para escrever um texto com o tema Despedida, para ela ler em um sarau nesta próxima semana e dizer "com muito orgulho" que o texto é da sua amiga Álex "que mora em uma ilha lindíssima", hehehe! Eu fiz o texto a seguir e ela disse que poderia postar onde quisesse. ^^ Fica aqui então para vocês:
Enquanto estive aqui, meu coração transmutou. E agora preciso levá-lo a outro lugar, onde possa contagiar alquimicamente corações semelhantes.

Não se aflijam quando eu atravessar as ondas do azul. Ele é tão profundo quanto o amor que lhes tenho, tão misterioso quanto o elo invisível que nos une, tão vasto quanto os caminhos pelos quais o destino nos leva. Espero que o mar, que tudo acolhe, torne igualmente receptivo o meu novo lar.

Eu sigo a direção do sol, como Órion amou a Éos, a aurora. E, quando cai o véu da neblina, seguirei da mesma forma que olhar de Selene acompanhava Endímion.

Onde eu estiver, lembrarei de todos ao ver o fogo de Héstia e as crianças de Ártemis, pois sei que compartilharemos os mesmos pensamentos nos deuses.

Quanto a vós, se me amam, mantenham minhas plantas vivas e cuidem de si. Que nenhuma lâmina os atinja, e que nenhuma praga as invada. Que a doença se aparte de todos. Que, tanto nesses belos corpos quanto naquelas belas folhas, não haja excesso nem falta de sol, nem de água, nem de vento, nem de sombra.

Que, ainda longe, eu seja permeada pela lembrança da sensação que guardo de nossos abraços, do cheiro das flores, e de como costumáveis cerrar lentamente os olhos, como se fossem pálpebras flutuantes emoldurando esse espelho brilhante da alma.

Despeço-me, amados; despeço-me, amigos; despeço-me agora de meus espíritos irmãos. Que a caminhada seja segura, que a viagem seja prazerosa, que a ausência seja breve, que a distância seja um detalhe, que o carinho seja eterno, e que o reencontro se dê a cada noite: quando fecharmos os olhos e passearmos nos sonhos.

E caso a saudade for grande a ponto de transbordar em pranto, considerai as lágrimas como parte do oceano que me leva, constituídas do mesmo elemento, materializando um pouco de mim no lugar onde estais, tornando real minha presença. Farei o mesmo convosco.

O mar não nos afastou, é seu sal que nos une. E cada orvalho do dia que amanhece é uma promessa de travessia e de retorno.

( Alexandra, 13/11/2009 )


novembro 03, 2009

Marca-páginas


Passando só para avisar que as abas ali acima foram atualizadas, caso queiram ler mais coisas minhas além do Sofá. Há contribuições no blog de cartas, há postagens no Wordpress das amazonas e no de traduções, diversas coisas no fórum de helenismo, artigos no site Tribos, além de Twitter (microblog), Multiply (restrito para a rede) e LiveJournal (em inglês).

outubro 29, 2009

Sobre Penthos (Luto)

"As canções são apenas palavras. Aqueles que estão amargurados as cantam.
Eles as cantam para se livrar de sua amargura, mas a amargura não vai embora."
[1][2]


Nas listas de Helenismo, quando falávamos sobre termos épicos em Homero, me deparei com o conceito de "penthos / πένθος" (luto, pesar, sofrimento, tristeza, lamentação). Como perdi uma pessoa querida em junho, pensei que escrever sobre isso poderia me ajudar a lidar com essa morte e superar a dor de sua ausência. E disso resultou este texto.

Primeiro descobri que, como para a maioria das coisas, para esta também há um "daimon" (espírito). Penthos[3] é filho do Éter e Gaia, figurava entre as Algea (Tristezas), que eram 'daimones' de dor e sofrimento - tanto do corpo quanto da alma, de luto, tristeza e aflição. Eles traziam lágrimas e eram opostos ao Hedone (Prazer) e às Cárites (Graças). O escritor Statius (em 'Thebaid' e 'Silvae') menciona Penthos como um espírito que fica entre os que sofrem luto, incitando seus corações, arfando seus peitos e fazendo-os soluçar.

"Penthus é a personificação do pesar. Quando Zeus decidiu quem seria ser o deus do quê, Penthus não compareceu. Não sobrou nada para ele além das honras prestadas aos mortos, o luto e o choro. Penthus favorece aqueles que pranteiam seus mortos, e por eles serem tão bons em seus prantos ele os envia o maior pesar que pode. Então a melhor forma de evitar a dor é manter a quantidade de aflição a um mínimo." (Ryan Tuccinardi)[4]

Nos antigos epitáfios, como o de Epinike e de Philokydis, mencionava-se muito o fato do pesar/dor/tristeza/luto que a pessoa morta deixava aos sobreviventes.[5]

Nós comentamos, então, que respeitar a passagem do ser amado, tanto no sentido da memória da pessoa que vai quanto da tristeza das pessoas que ficam. Os cristãos dizem que as pessoas que morrem estão felizes no céu com Jesus e os anjos, e que contraditoriamente deveríamos ficar felizes por elas, mas ficamos tristes e pensamos que estamos errados e não entendemos isso e sentirmos culpa. Não faz sentido, faz? Você se debater contra o que você sente, achando que deveria estar sentindo outra coisa, é no mínimo uma falta de respeito à nossa natureza. Quando alguém morre, todas as várias coisas que sentimos poderia se resumir a Penthos. Independente de para onde as pessoas amadas foram depois de mortas, nós estamos tristes sim por eles terem partido, por não estarem mais conosco, por sentirmos saudades deles, por não podermos vê-los cumprir todas as esperanças e sonhos que eles tinham para esta vida. E tudo bem sentirmo-nos assim, faz parte. É esperado que fiquemos mal, tristes, irritados, revoltados, o que for. Somos humanos!

É exatamente nesses tempos de crise que você passa a perceber mais forte a utilidade das suas crenças. São os deuses e daimones que nos ajudam a superar. Eles podem não estar me abraçando, me dando colo, mas estão ali, e a presença deles comigo, o fato de se mostrarem disponíveis e atentos, é tudo, é maravilhoso, me deixa melhor. Tem coisas que a gente não precisa concluir que teve uma razão para acontecer, ainda mais morte (que é tão difícil achar um motivo, a gente sempre acha que não era necessário tirarem alguém de nós tão radicalmente). Elas simplesmente acontecem e pronto. Talvez até tenham uma razão que desconhecemos. Não dá para culpar ninguém, nem para se apegar a algum plano misterioso acontecendo, até porque a gente pode nunca descobrir que razões foram essas. A solução é lidar com a perda, lembrando que o destino e o tempo nem sempre nos favorecem, e seguir adiante com a vida.

Os gregos, que eram tão amantes da razão, provavelmente diriam que o certo é seguir adiante de uma forma sincera, e não fantasiando justificativas e pintando nuvens de algodão-doce sobre os fatos. Você está despedaçado por dentro, então sinta isso, os deuses esperam que você sinta mesmo, até o negócio esgotar e você ser transformado. A dor é transmutada. Como qualquer massa fermentada, ela não vai crescer e virar bolo se não for lançada no fogo. É necessário. Sei que é extremamente difícil de aceitar, mas não temos superpoderes, então a nossa limitação humana só nos permite isso, e é isso que temos que fazer. Devemos deixar Penthos nos incitar o coração e nos arfar o peito se preciso.

Uma outra coisa que percebemos ao procurar por Penthos em textos épicos é que ele seria muito mais um pesar público, coletivo, oposto ao Kleos (que seria o privado, particular).[6]

No quarto livro da Odisséia de Homero, aparece a palavra "Nepenthe" como aquele que afugenta a tristeza ('ne' como partícula de negação para 'penthos'). A "Nepenthes pharmakon" (filtro que afugenta a tristeza) era uma poção mágica dada para Helena por uma rainha egípcia. Essa poção acalmava todas as dores com o esquecimento.[7] Os estudiosos acreditam que se trata de um preparado de ópio, similar ao láudano. Outros dizem que seria um elixir egípcio feito de losna (tipo o absinto). Mas os efeitos "positivos" descritos do Nepenthe são bem similares aos efeitos dos opiáceos/narcóticos: um estado lânguido e prazeroso da mente, com intensa sensibilidade à beleza.

Píndaro tem um trecho que diz "Aqueles os quais da parte de Perséfone irão receber compensação por um 'penthos'/pesar de longa duração, a alma desses ela envia de volta para cima, no nono ano, para a luz do sol, e dessas almas crescerão reis ilustres, vigorosos em força e muito grandes em sabedoria. E para o resto dos tempos eles deverão ser chamados de heróis sagrados."[8]

Se o oposto de Penthos faz aumentar nossa sensibilidade à beleza, ler versos como esses de Píndaro me faz ver como é lindo e reconfortante fazer parte do mundo helênico...

Alexandra, 29/10/2009.


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Notas:
1. (Todas as traduções citadas no texto são minhas, do inglês.)
2. 'The death rituals of rural Greece', Por Loring M. Danforth, Alexander Tsiaras.
3. Penthos, no theoi.com.
4. Penthus, no pantheon.org.
5. Hansen, P.A. (ed.). Carmina Epigraphica Graeca. Berlin & New York 1983-1989, visto em "Reading" Greek death: to the end of the classical period, por Christiane Sourvinou-Inwood.
6. The Best of the Achaeans, Concepts of the Hero in Archaic Greek Poetry - Gregory Nagy (cap.6).
7. Sobre Nephente como oposto de Penthos.
8. The Best of the Achaeans, Concepts of the Hero in Archaic Greek Poetry - Gregory Nagy (cap.9).

outubro 28, 2009

Sonhar funciona



[ 'The Sleeping Gypsy', Henri Rousseau, 1897, óleo sobre tela ]

"...Os ciganos normalmente não se preocupam se a ajuda de seus ancestrais vem de seres espirituais reais ou na verdade de forças criativas do nosso próprio subconsciente. De acordo com os ciganos da Ucrânia, do Cáucaso e da Romênia, não é possível explicar essas coisas. A única coisa importante é que funciona. No mundo de hoje, o poder dos sonhos e da arte de interpretação dos sonhos estão provando ser cada vez mais úteis para a psicologia moderna. Para muitos que praticam essa habilidade, tem sido amplamente provado que no nosso relacionamento intensivo com nosso próprio mundo dos sonhos há poderosas forças espirituais curativas."
(traduzi do livro 'The Gypsy Dreambook', de Sergius Golowin)