6.3.16

Marés Poseidônicas nos meus dias

Postado por Alexandra Oliveira |

Em novembro de 2013, escrevi o único post sobre Poseidon deste blog (veja clicando aqui). Uma postagem que não se concluía devidamente, pois eu não tinha as respostas dos motivos para senti-lo tão presente na época. Ao menos não teleologicamente (ou seja, o "para quê" eu estava sendo abordada por Ele). Dois anos depois, novembro de 2015, conheci alguém. Logo estávamos saindo, e passamos o fim de semana do ano novo juntas, quando, a 3 de janeiro, começamos a namorar. Afrodite teve muita participação nisso, fazia ritos a ela para me auxiliar, ainda mais por que o começo foi conturbado. A pessoa que os deuses me enviaram cheguei a pensar que teria algo de Zeus nela, leonina, cheia de si, líder no trabalho... 


Então, um belo dia, eu sonhei com Poseidon. Uma estátua dele em tamanho humano, no meu quarto, se mexia e eu sabia que só eu conseguia ver minhas estátuas se mexendo. Ele sorria para mim com um olhar doce, e eu colocava a mão na sua coxa, e desejava ele. Eu pensava como era bom ver esse lado leve e simpático dele, não só o de sacudidor de terras e maremotos que tudo derruba. Acordei sem entender o sonho, mas contei para um amiga e ela prontamente: será que "ela" não é de Poseidon? Eu em nenhum momento tinha pensado nisso, mas acabou fazendo todo o sentido. O lado amoroso do sonho era para mostrar que se tratava do meu relacionamento, pois o olhar e o sorriso dele eram como os dela. E aí as peças foram se encaixando. Não era Zeus - que inclusive se confunde muito com Poseidon. 

Vou falar primeiro dos aspectos físicos: os hinos homérico e órfico sobre Poseidon o descrevem como de belos cabelos escuros (ela os tem), a primeira vez que nos beijamos foi depois de ficarmos diante do mar, ela acha lindo cavalos (já cavalgou kms), ela tem um pingente de prata que dei para ela no formato de um peixe (como ela queria), ela usa um desodorante de 'minerais do mar', ela adora camisas listradas de azul e branco (tipo marinheiro), um dia eu botei um pendrive no carro com várias bandas quando estávamos namorando e ela voltou várias vezes na mesma música "Oceans" do coldplay, quando assistimos Horas Decisivas no cinema - um filme no mar - ela apertava minha mão nas horas de maior tensão (tipo quando as ondas cobriam o barco), entre outros exemplos que talvez eu não me lembre no momento. 

Agora vem o que mais pesa: os aspectos psicológicos. Primeiro: Poseidon, como a carta da Torre no tarô, vem para sacudir as estruturas, derrubar as fachadas, fazer a gente se reconstruir. Eu vinha de um longo tempo de luto, sem sair tanto de casa, agora saio quase todo dia. Segundo: os terremotos e tensões poseidônicas, que vêm em ciclos, são constantes nela e no nosso relacionamento, o que eu chamo de "as marés poseidônicas". Uma hora ela está me assustando, na outra está me conquistando. Sabe aquela frase da Marilyn Monroe "se você não consegue lidar com o meu pior, você não merece o meu melhor"? Pois é, todas as tensões que ela me causa quando joga água em cima de mim são compensadas pela beleza do oceano e pelas brisas marinhas que impulsionam meu barco na calmaria. Ouço dela tanto coisas muito duras quanto coisas muito lindas. O "uau, ela disse isso?" caberia para os dois extremos se eu lhes contar. E as coisas duras, de certa forma, fazem a gente crescer. 

 [ Como citei no post linkado acima, "A Posídon é atribuído o domínio do medo, das coisas imprevisíveis, por isso ele costuma causar temor. Seu tridente é descrito como tão terrível quanto o raio de Zeus; podendo distribuir benesses ou castigos, podendo agitar ou acalmar as águas. Ele dissolve provocando borrascas e tormentas, mas também pode acalmar a fúria do mar e fazer brotar nascentes." ]

O mar é variável, então está muito ligado a mudanças. Uma das mudanças que tenho experimentado é no meu visual. Cortei o cabelo, repaginei meu guarda-roupa... aumentei minha auto-estima, diminuí minha insegurança. No post anterior, citei que a psicologia arquetípica falando do mar menciona que 'Poseidon é senhor desse mundo. Aqueles que têm a sorte de receberem permissão para adentrá-lo, deveriam ser gratos e oferecer o devido respeito. Quando Poseidon está agindo, nós vivemos as emoções muito intensamente, e isso nos dá bastante coisa com a qual trabalharmos por uma transformação real. Entender essas coisas, vai lentamente elevar sua auto-estima e sua auto-aceitação.' É bem isso o que vem acontecendo.

[imagine um casal Zeus - Poseidon, rs] 

Os amigos dela não entendem, mas eles só conhecem o lado poderoso e imponente do mar (e da leonina), eu conheço o lado que mostra a sorte que tenho de estar nesse reino de benesses e nascentes transformadoras. A minha calmaria, paciência e determinação taurinas ajudam muito a enfrentar os tsunamis, e a paixão antiga que gerações da minha família têm pelo mar deve ajudar também.  

Outra coisa curiosa é que faz tempo que não tenho sonhado mais com o mar cobrindo o lugar onde eu estava, e esses sonhos eram sempre uma constante. Talvez isso também confirme que eles anunciavam este ciclo que agora veio. Só me resta agradecer e honrar a oportunidade. Espero que ela não passe rápido como uma onda, e sim que ancore e se estabeleça como um tesouro submarino. 

2 comentários:

Emanuel disse...

Teu artigo veio numa hora em que eu precisava acreditar mais.
Muito obrigado. De verdade.

Alexandra Oliveira disse...

Que bom! Grata pelo feedback...

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