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dezembro 23, 2012

Formas de Devoção


Existem dois conceitos hindus que li num livro de bhakti yoga que servem para várias crenças religiosas e que trouxe para compartilhar com vocês.

O primeiro é com relação a como nos aproximamos da deidade. Diz-se que existem cinco tipos de "bhavas":

  • No Shanta, você se aproxima do deus com uma mente pacífica e plácida (é o nível mais elevado de 'bhava', o da paz). Exemplo: o personagem Bhishma no épico Mahabharata.
  • No Dasya, você se aproxima do deus como um servo. Exemplo: Hanuman no épico Ramayana, que era devoto de Rama.
  • No Sakhya, você se aproxima do deus como um amigo. Exemplo: Arjuna com Krishna no Mahabharata.
  • No Batsalya, você se aproxima do deus como um filho. Exemplo: Yosoda com Krishna.
  • E no Madhura, você se aproxima do deus como um amante. Exemplo: Radha com Krishna, humanos como Chaitanya Deva (santo hindu e reformista social), Jay Deva (poeta do Gita Govinda), Mirabai (santa hindu e poetisa), e o próprio Jesus que pregava o amor e falava da igreja como a esposa do cristo.

Apesar de termos exemplos literários de cada tipo, não precisamos utilizar só um deles, podemos ter uma relação com deus que se mistura a de um amante, um amigo, um filho etc. Mas, ainda assim, essa visão é útil para tentarmos observar como cada grupo se coloca. Poderíamos pensar que nas religiões afro se pratica mais o Batsalya, já que as pessoas dali são "filhos" de orixás. E serve também para analisarmos os nossos próprios helenos conhecidos. Será que Odisseu não se encaixaria no Sakhya em sua relação com Atena? E as/os amantes mortais (voluntárias/os) dos deuses não estariam praticando o Madhura? Já pensou com qual desses 'bhavas' você se identifica mais?

O outro conceito diz respeito aos caminhos de devoção. Existem seis tipos de "bhakti":

  • No Sravana, ouvimos, lemos, assistimos filmes sobre as glórias e manifestações da deidade. Assim como os muçulmanos acreditam que ouvir/ler o Alcorão ajuda alguém a se tornar devoto verdadeiro de Alá. É a melhor forma de 'bhakti' para as pessoas comuns. 
  • No Kirtana, cantamos, pois a poesia e a música têm um impacto na mente, que se afeta profundamente ao se cantar as glórias da deidade. Essa é uma parte essencial da religião sikh, e do vaishnavismo, no qual os devotos cantam o nome de Krishna no maha-mantra.
  • No Smarana, nos lembramos da deidade, com sentimentos divinos constantes e meditação contínua. É a forma mais elevada de 'bhakti'.
  • No Padasevana, servimos aos pés da deidade, como fez a deusa Parvati aos pés de Shiva e a deusa Lakshmi aos pés de Vishnu. Uma vez que não enxergamos os deuses, a alternativa seria servir aos pés de uma estatueta ou - melhor ainda - servir aos seres humanos e ao universo como uma manifestação de uma deidade escondida.
  • No Archana, prestamos culto à deidade através de um símbolo ou de uma estátua ou mentalmente. Nesse caso, existe o perigo de se degenerar para a idolatria e para um ritualismo mecânico.
  • E no Vandana, prostramo-nos (deitamo-nos) diante do símbolo ou da estatueta da deidade.

Para nós helenos, caberia-nos no princípio os tipos Sravana e Archana, depois procuraríamos desenvolver o Padasevana com os seres humanos (como uma 'xenia' aos mortais para refletir uma 'charis' com os deuses), sendo que poderíamos incluir também o Kirtana, e - claro - tentaríamos alcançar o Smarana. O Vandana seria relizado apenas com os deuses ctônicos.

Porém, que fique claro que a profundidade desses conceitos dentro do hinduísmo não é transferível para o helenismo, estou apenas utilizando-os de uma forma didática aqui. Até porque conheço apenas a definição de cada um, sem grandes implicações, portanto não se faz necessário sequer decorarmos esses nomes, uma vez que não pertencem à nossa crença.

Seria apenas o caso de refletirmos sobre o nosso tipo de prática de um modo um pouco mais comparativo "teologicamente". Espero que isso fique compreendido, e que essas informações que achei tão interessantes tenham sido úteis também para vocês.

E, já que estamos no ritmo da teologia comparada, vamos ficar com um pouco de Rumi (poeta persa muçulmano), que provavelmente praticava o Madhura:


"Ruínas
são lindas
quando tocadas
pelo Sol dourado.

Assim também, o coração partido
se torna lindo

como um espelho despedaçado captura
e expande dentro dos milhares 
um único

raio de luz..."

(Rumi, século XIII)


dezembro 24, 2011

Um êxtase interior

No solstício de inverno do hemisfério norte, quando os dias são mais curtos e há menos luz, dizem que Apolo está na Hiperbórea e Dionísio fica em Delfos. É uma época em que precisamos refletir para aprender como manter a luz divina nos tempos mais escuros -- no mundo, na vida e na alma. 

Mesmo que você não siga o calendário da Hélade e queira sintonizar-se com o hemisfério sul onde mora, ainda assim temos um solstício, uma transição para uma estação onde luz e escuridão estão distribuídas de forma um tanto desigual no período de um dia. Nela, você não precisa regular seu ser interior a passar meio período ao sol das revelações e meio período ao escuro do mistério. Estar acordado é uma forma de consciência e sonhar é outra. Talvez você negue a existência de um outro estado de consciência, talvez você acredite mas coloque um como hierarquicamente superior ao outro, porém, ainda assim te digo que essa separação só está nas nossas cabeças. Nós não existimos separadamente nem do mundo físico nem do espiritual, participamos dos dois, e nossa liberdade/libertação acontece nos dois níveis. Assim como acaba não havendo muita diferença se neste fim de ano você celebra Dionísio ou Apolo.
"As bênçãos de ambos nos ajuda a entender como sermos plenamente nós mesmos, abrindo os olhos à nossa verdadeira natureza e com nossos corações livres de limitações. Desta forma, podemos atingir a 'areté'; podemos encontrar iluminação/esclarecimento." (Jess, da Hellenion, tradução minha)
Ambos os deuses te levam a um estado de consciência que poderíamos entender como o êxtase (o "ekstasis" dos gregos era quando a alma voava para fora do corpo). Só que o êxtase de Apolo é diferente do de Dionísio. Já mencionei aqui no blog sobre o êxtase do tipo dionisíaco (clique AQUI para ler), então agora vou falar do apolíneo.

Não há nada de selvagem ou perturbador no êxtase apolíneo. Este era intensamente particular, relacionado apenas ao individual (quase um "íns-tase" em vez de êxtase, rs). E acontece em tal silêncio, tranquilidade, imobilidade, que a pessoa do lado pode nem percebê-lo ou poderia até confundi-lo com alguma outra coisa. Mas é nessa calmaria que reside uma liberdade completa em um nível totalmente distinto. Nesse outro nível, a inexistência do espaço-e-tempo é simplesmente um fato, e acreditar ou duvidar disso não faz diferença. Esse é um estado em que se consegue entrar seja dormindo ou acordado, seja de olhos fechados ou abertos. É como estar acordado sem o estar e é como estar dormindo sem o estar também, é alguma coisa intermediária, para a qual não se incomodaram de encontrar um nome, porque todos sempre estiveram mais interessados na experiência do que na sua definição. É mais fácil falar o que ele não é do que o que ele é. Dizer que é um transe, um estado cataléptico, uma incubação, uma suspensão da mente, seria apenas atirar no escuro, pois esses são termos que falam mais do corpo físico do que do estado em si. A teoria não acompanhou a prática neste caso.
"Quem olhar para fora, sonha. Quem olha para dentro, acorda." (Carl Jung, psiquiatra)
"Sonhar é acordar-se para dentro." (Mário Quintana, poeta)
Os sacerdotes "iatromantis" (oráculos-curandeiros) de Apolo eram mestres nesse estado de consciência e, por experimentarem esse tipo de liberdade, eram chamados pelo que conhecemos em inglês de "skywalker", um caminhante do céu, termo que aparece igualzinho no oriente, em lugares como o Tibet e a Mongólia. Os antigos relatos gregos dizem que os iatromantis viajavam a longas distâncias para o norte e leste da Grécia, passando por áreas habitadas por tribos iranianas de cultura xamânica, assim como pela Sibéria e Ásia Central. Nessas horas pensamos como no fundo não existe diferença entre ocidente e oriente. Talvez por isso - e não apenas por morar perto do Equador - eu também não veja tanta diferença entre norte e sul. Acho até que na antiguidade se viajava a longas distâncias muito mais do que hoje, quando temos avião mas que já trouxemos todas as facilidades para perto a fim de não precisarmos viajar no mesmo.

Provavelmente você já deve estar visualizando o que você conhece de parecido com esse êxtase apolíneo, essa unidade indivisível que lemos em relatos e vemos em práticas paralelas - como as dos xamãs, as dos iogues, e outras. Isso é mais do que uma simples coincidência. O que era desenvolvido no oriente, era formalizado no ocidente. E o que era formal no oriente, era um mistério no ocidente. O estado intermediário entre se estar sonhando e acordado tinha seus próprios nomes em cada cultura.

Então, neste momento do ano, quer celebrando Dionísio ou Apolo, espero que, no seu êxtase, sua alma encontre o que precisa -- que pode não ser o que ela procurava, mas que vai ser mais curativo e pleno ainda se você deixar que os deuses te conduzam nesse voo (agora estranhamente sem acento), o qual é muito menos solo do que você imagina.

julho 20, 2010

elefante, o elevante

Este texto não vai ter um começo decente nem um propósito muito específico. É simplesmente resultado de eu ter um elefantinho de pelúcia e gostar de Ganesha, o que me deu vontade de falar da simbologia do elefante como imagem de sabedoria.

Mesmo sendo grande, o elefante toma cuidado para não pisar na trilha das formigas. (As pessoas verdadeiramente grandes não pisam nas pequenas.)

Os olhos do elefante são pequenos e as orelhas são enormes. (As pessoas não deveriam ligar para o que vêem - a aparência ilusória - no mundo externo, mas compreender o que ouvem e saber ouvir.)

O elefante caminha pausadamente, mas, quando a manada chama, ele sai correndo e arrasando tudo pelo caminho. (Quando a voz da unidade com o universo nos convoca, não deve existir nada no mundo material que sirva de obstáculo para deter nossa corrida.)

Sua tromba demonstra a alta sensibilidade - e sensitividade - a cheiros/estímulos, abrindo-se a energias e mundos que, de outra forma, seriam inacessíveis. (Aliás, já escrevi neste blog sobre as propriedades do nariz como o lugar que interage o interior com o exterior, veja a postagem clicando AQUI.)

Geometricamente, o elefante é uma esfera sobre quatro pilares, que dizem ser similar à estrutura do cosmos. Além disso, suas orelhas são meio triangulares e sua tromba é um arco como a lua crescente.

A palavra "elefante" vem, claro, do grego (rsrsrs) ἐλέφας, que significa marfim.

Na Índia, existe Hastinapura - cidade (pura) dos elefantes (hastin) - que é chamada também de cidade da sabedoria. É ela que é disputada pelos exércitos dos Kuravas e Pandavas no Bhagavad Gita.

O elefante também era montaria de reis.

A ioga associa o elefante ao chakra muladhara, de elemento terra, a base, a raiz, o centro.

Quando eu era pequena, adorava a música do passo do elefantinho: "Quando ele nasce já é forte, mesmo grande é tão engraçadinho; é bom, traz sorte! Trate com carinho tudo aquilo! O fiozinho do seu cabelo é bastante para conduzi-lo. Veja como ele é bonitinho! Olha o pêlo dele como brilha! Lá vai, na trilha. Olha o passo do elefantinho! No circo em festa ou na floresta, ele é sempre o bicho mais bonzinho." E agora achei a musiquinha. Quem quiser ouvir, tem ela clicando AQUI.

Um elefante pode incomodar muita gente, como diz outra canção, mas a mim não. Sem contar que é infinito o número de elefantes que "se penduraram numa teia de aranha" e viram "que a teia resistiu" (outra musiquinha).

E é uma pena que um símbolo que ensina tanto seja considerado um xingamento no ocidente...

março 26, 2009

Eu mereço (mesmo)! rsrsrs

Os deuses são engraçados. Eu não tinha entendido qual a dEles quando minha professora de yoga sofreu um acidente e precisou engessar o braço e não iria poder dar aula pra mim justo quando ando com uma dor de cabeça que só passa quando vou lá. Daí, reajustando dia e horário onde eu poderia fazer aula com outro professor, fui parar numa turma sem saber o nome do cara (quando entrei no centro de yoga, só tinha duas professoras, agora tem três ou quatro professoras e um professor). Chego lá hoje, tomo um chá, entro na sala, e ele se apresenta como Helênio. Quer coisa mais grega que um professor com esse nome? E a aula foi ótima. Agora entendi, senhores divinos... Já podem rir.

;)

março 22, 2009

Hare Krishna

Ontem, antes de dormir, acendi um incenso indiano, sentei-me para meditar na posição de lótus, no escuro, escutando mantras no player de mp4. A tecnologia nessas horas ajuda, porque a certo momento percebi que não precisava continuar de olhos fechados; lembrei-me da prática de fitar um ponto no horizonte, e o único ponto aceso no escuro de meu quarto à minha frente era o led de stand-by da TV. Pois bem, fiquei olhando para ele, ainda ouvindo os mantras e, aos poucos, ele deixou de ser um ponto circular. Primeiro uma coisa indefinível rascunhada (um Ohm?), depois alguém tocando flauta (Krishna?) e depois ele com uma moça consigo (sua amada?). Quase sem perceber, lágrimas já escorriam de meus olhos.

Eu poderia dizer que custa-me de certa forma admitir a visita de outros panteões de uma forma como a de ontem, mas uma das coisas que estava na última carta que recebi do meu ancestral de Creta foi ele me dizendo: "Tudo o que aparecer nessa trilha é porque é pra ti. A trilha é tua. Não hesite em parar para recolher o que ela te mostra ou traz." Então não tenho rejeitado nenhuma experiência que me eleve o espírito.

Pois bem, algum tempo depois, abri o armário, peguei o banquinho e subi até a prateleira onde estavam antigos livros, acreditando que eu tinha um Bhagavad Gita em algum lugar, mas o que eu encontrei foi algo diferente. Entre outros dois livros (um de filosofia védica e outro de depoimento de um swami), estava um livro específico sobre Krishna, com ele e sua amada na capa, e autografado pelo devoto que me vendeu ele na rodoferroviária de Brasília, a 4 de fevereiro de 2003 (sim, tem certas coisas que eu guardo mesmo). Ainda me lembro dele dizendo que eu me parecia com uma das meninas do retiro deles. Permiti-me começar a ler. E tenho identificado nos textos muita coisa que já tinha conversado com as pessoas sem saber que isso já existia escrito em algum livro de histórias sagradas. Não vou me preocupar com o 'como vou lidar com isso', vou viver meu presente, porque acredito que já sei discernir o que é aproveitável sem ser ofensivo e que já sei entender a diferença entre uma dádiva e uma distração.

A foto da capa é essa ao lado. Tem tanto a flauta quanto Ela...

março 16, 2009

O líquido tem que fluir entre as duas taças...

Estes dias vinha me sentido um pouco como Dionísio sendo despedaçado e em minhas preces pedia para ser salva e restaurada das partes de mim que ainda estão vivas e não foram comidas por "monstros". Então tentei me cuidar para manter algo ainda disponível para ser escolhido pelos deuses como forma de me recriar. E acredito estar melhorando. Como Hermes (Mercúrio, para os romanos) é um deus também da 'sorte', esperava que ele viesse mudar a minha para algo mais agradável.

Fui por acaso folhear um livro hindu e notei isso:
"रसस्य मनसश्छैव छञ्छलत्वं सवभावतः |
रसो बद्धो मनो बद्धं किं न सिद्ध्यति भूतले || २६ ||

rasasya manasaśchaiva chañchalatvaṃ svabhāvataḥ |
raso baddho mano baddhaṃ kiṃ na siddhyati bhūtale || 26 ||

By nature, Mercury and mind are unsteady: there is nothing in the world which cannot be accomplished when these are made steady.

Por natureza, Mercúrio e a mente são instávels: não há nada no mundo que não possa ser realizado quando eles são feitos estáveis."

(Hatha Yoga Pradipika)
Isso me fez pensar que eu ainda estaria estancada no lugar, sem realizar nada, se as coisas continuassem do jeito que estavam. O choque ao menos fará o que é necessário mudar e sair do lugar.

março 15, 2009

Que 'corvos' está havendo com o mundo? ò_Õ

Incrível como parece que para todo mundo estes estão sendo dias e tempos difíceis. Primeiro foram meus contatos do Multiply que comentaram sobre isso, agora eu vejo o povo nas listas de e-mail dos helênicos americanos fazendo o mesmo. Resolvi resumir e postar aqui uma das coisas que aconteceu por lá, porque a resposta serviu para mim e provavelmente servirá para muitos de vocês que - como eu - sentem a configuração celeste e toda essa energia que bagunça com nossos corpos cheios d'água da mesma forma que a lua influencia nas marés.

A helênica que pede ajuda também pratica yoga e já escreveu um livro sobre as máximas délficas. Ela conta que parece que tudo resolveu acontecer ao mesmo tempo, que ela tem ficado doente e curada seguidamente nos últimos meses, e - entre outras coisas - se sente ansiosa, então ela queria saber a que deus mais especificamente pedir por alívio.

Quem responde diz que os Deuses às vezes parecem não responder nossas preces, mas Eles as ouvem e são sim guias da humanidade, mas Eles provavelmente gostariam de que de vez em quando nós parássemos de nos preocupar tanto com o destino, uma vez que Eles já estão cuidando disso e sempre estiveram e estarão conosco até o fim. Diz também que possivelmente as respostas já foram dadas, só depende de nós enxergá-las e procurar por equilíbrio na vida, mesmo que seja pelo ato de acender uma vela por noite ou limpar o tumulto espiritual. E termina dizendo que é no nosso ser superior, que é o verdadeiro canal aos deuses e ao universo, onde as respostas estão.

O que tem sido difícil para mim (agora sou eu falando de novo) é que, mesmo sabendo disso tudo e vendo a luzinha das respostas no final do túnel, eu ainda não consigo enxergá-las porque tem um véu de mágoa cobrindo meus olhos. Eu sei que o que aconteceu vai ser melhor para mim, pois me livrei de alguém que me fazia mal, só que eu tou sofrendo demais ainda. Acho que é a dor que sentimos quando retiramos um tumor por conta da cirurgia, mesmo sabendo que estaremos salvos sem ele existir mais ali. A diferença é que eu me apeguei ao meu 'tumor', ele era um pedaço meu, e - desculpem o palavrão - po**a, como dói perder isso...

Há 3 dias que estou com dor de cabeça por conta das coisas que vem me acontecendo. Espero que os remédios que a médica me passou me ajudem a retirar o véu e encontrar coisa melhor para colocar no meu coração.

E olha a sincronicidade! Na hora em que fui postar isto, fui procurar uma citação de uma coisa nas minhas anotações e achei uma outra anotação muito melhor! Vou voltar a usar meu cordão de Sarah Kali e, com a permissão dos deuses, começar a fazer esta prece a ela:
"Tu és a única Santa Cigana do Mundo.
Tu, que sofrestes todas as formas de humilhação e preconceitos;
Tu, que fostes amedrontada e jogada ao mar, para que morresses de sede e de fome;
Tu, que sabes o que é medo, a fome, a mágoa e a dor no coração;
Não permita que meus inimigos zombem de mim ou me maltratem.
Que Tu me concedas sorte, saúde, e que abençoes a minha vida.
Assim seja."

março 11, 2009

Uma 'grega' na yoga (parte II)

Hoje estávamos trabalhando o equilíbrio, e a professora falou que equilíbrio não é um ponto entre duas forças, mas uma ausência de forças conflitantes. Quando ela estava falando nisso, veio à minha cabeça Hermes entre Dionísio e Apolo. Eles não são opostos que precisem do deus mensageiro no meio para amenizar nada. Eles se completam.

Em nenhum momento do tema "equilíbrio" eu pensei em justiça ou balança ou Têmis, mas sim fiquei pensando em Hermes, o qual veio, voando até parar flutuando, pouco vestido, e envolto em faixas brancas esvoaçantes. Puxou-me então pela cintura, me carregando de costas para Ele.

Mais tarde, ela nos fez ter uma visualização com um beija-flor. Achei isso interessante, porque para mim o beija-flor estava associado a Hermes também, mas eu não tinha certeza. Então fui pesquisar e descobri que os incas honravam o beija-flor como pertencente ao deus Q'enti, que tem muitas semelhanças com Hermes, por ser um mensageiro do mundo superior e ser respeitado por sua velocidade e precisão.

Ao procurar uma imagem de Hermes, encontrei uma parecida com a preparação para um dos ásanas que fizemos. Ainda não achei foto da postura para comparar, mas já imaginem aí pela figura...

março 01, 2009

Mais sincronicidades: a serpente e a torre

No último post, falei da Kundalini. Pois bem, sem relação alguma, leio sobre o site de um Anubis Oracle para testar a leitura online, e o que me sai? Entre outras 3 cartas, a carta da deusa-serpente Wadjet, cuja interpretação traz estas partes: "Você pode estar experienciando um poderoso processo de purificação que pode se expressar como um despertar da kundalini" e "Wadjet espirala seu caminho para dentro de nossas vidas, abrindo e limpando os centros dos nossos chakras com sua energia de kundalini (ou de força de vida)". Até no Egito tem yoga? Rsrsrs!

As imagens que encontrei de Wadjet lembravam mais uma naja, sendo que quando pesquisei da kundalini encontrei uma naja dourada com uma espécie de 'psi' desenhado nela (figura abaixo). Ah, e - por falar em serpente - em Creta, Dionísio teria difundido o segredo da serpente e do touro, sendo a serpente (que renasce) mãe do touro (que fertiliza). Meu signo ocidental é touro e, no chinês, sou serpente.


Outro dia, mencionei como a Torre tem se repetido nas minhas leituras do tarô. Pois bem, seguindo onde falava do Anubis Oracle, indicaram depois o site de um Tarô Egípcio, também com leitura online. Qual a carta que sai? Bom, melhor vocês conferirem lá mesmo o meu resultado, clicando AQUI.

E, nessas horas, até novela serve de oráculo, quando liguei a TV para botar o DVD do filme que iria assistir e estava o cara citando o livro do Gita, falando que as circunstâncias são neutras, que somos nós que temos a atitude de conferir um valor positivo ou negativo a elas, de acordo com nosso desejo ou intenção.

Ontem de madrugada fiz uma escrita intuitiva e ela também confirmou esse meu momento de transformação. Eu sinto, vejo, percebo, é notável. Até porque foi decidida, por ser iminente. Era mudar ou sucumbir... Como a Torre.

Como diz a filosofia de um amigo meu: 'desapego express'.

Agora só falta "fazer a cobra subir", rsrsrs!

fevereiro 27, 2009

Uma 'grega' na yoga (parte I)

Hoje na yoga falamos dos canais Sushumna, Ida e Pingala, que atravessam os chakras, por onde passaria a Kundalini, energia representada por serpentes. Isso me lembrou o caduceu de Hermes.

Caduceu, Sushumna (canal do centro) e Ida e Pingala (os direito e esquerdo).

Depois fizemos a postura do guerreiro II (Virabhadrasana). que me lembrou a escultura em bronze de Poseidon (ou Zeus, segundo alguns).

"Poseidon Soter" de Artemisium (c. 575 AEC) e Martha (alguém da internet) no ásana citado.

Isso que dá misturar culturas, rsrsrs!

fevereiro 26, 2009

Saudação ao Sol

Na aula de yoga de ontem fizemos a sequência de saudação ao sol (surya namaskar). Depois colocaram um incenso que me incomodou porque tinha um cheiro doce e um tanto energético demais para um relaxamento feito depois de um exercício de energia. Senti-me em desequilíbrio, desarmonia, e chamei Apolo para vir tapar meu nariz a fim de eu conseguir me concentrar na prática que demandava sentir sua luz solar. Funcionou durante todo o resto do tempo, mas ainda assim saí da aula com um pouco de dor de cabeça.

Enfim, na hora Ele apareceu com um bastão fino comprido (com algum símbolo na ponta de cima), no qual se apoiou para se agachar ao meu lado e apertar meu nariz. Ele estava com uma sunga por baixo e uns retângulos brancos na frente e atrás. Também usava uma espécie de coroa fina que não fecha na parte de trás da cabeça. Ainda não tinha visto Ele assim. De qualquer forma, estava lindo, como sempre.

Pensando nEle, me lembrei de uma arte que fiz em 2006 e fui procurar nos meus CD-ROMs. Felizmente encontrei. Quem quiser ver maior, é só clicar na imagem (abrirá em nova aba/janela):


fevereiro 14, 2009

Mais sincronicidades: curas, gregos e folhas

Ontem na aula de yoga, além de tantas outras coisas boas no trabalho com os chakras e com o físico (incluindo algo que adoro que façam: eu de bruços e a professora - que por sinal é argentina - em pé nas minhas costas), a parte das visualizações me surpreendeu mais ainda do que na primeira aula.

Primeiro porque a gente 'varreu' do corpo exatamente uma coisa que vinha me incomodando e que já tinha me provocado dois ou três pesadelos daqueles que acordamos sem ar e com o coração disparado. Nas palavras dela: "aquilo que você queria que tivesse acontecido e não aconteceu, as esperanças perdidas, o que não deu certo"...

Segundo porque reencontramos nossa criança interior e foi muito bom.

Terceiro porque, no final do exercício com a criança, eu já estava indo além, eu me vi em outro lugar, só não aprofundei mais porque ela nos chamou de volta. Não sei se voltei tanto na infância que acabei indo para outra vida, mas o que vi foi uma casa de painéis cor de palha, por onde eu passava procurando meu então pai, dizendo que se ele não estava ali então eu não poderia resolver plenamente aquele problema, pois foi ele que o tinha causado. Dali da casa eu via uma praia (areia e mar), eu era criança com uma túnica branca e um cinto marrom-dourado, e sabia que éramos uma família grega. O que eu precisava resolver não era só comigo, era algo que ele tinha feito a todos nós, no estilo dos textos antigos que mostram a infalibilidade do destino, tanto que na hora eu só conseguia pensar em Édipo, não pelo lado psicanalítico, mas sim de uma dinâmica de fatalidade que só ele poderia reparar.

Não sei se foi bom eu ter voltado porque já estava fugindo do foco ou se precisava saber mais ou se isso apenas veio confirmar e acrescentar mais um fato à história que já sei de uma vida anterior. Talvez eu deva correr atrás de esclarecer isso, mas enfim. No final da aula eu tomei um cházinho com a dona do centro, que comentou que me achou bem flexível, hehe.

Outra coisa interessante foi termos feito um ásana sobre um imaginário grupo de folhas de certa textura e, quando entrei no elevador do meu prédio voltando da aula, lá estava uma folha no chão, como a imaginei. Do nada, dentro de um elevador. É claro que eu a trouxe para casa e guardei no caderninho. Parei de pensar demais no motivo das coisas, se ela estava ali era para mim e eu tinha que trazê-la. Simples assim.

fevereiro 11, 2009

Azuis...

Primeira aula de Hatha Yoga!

Entre as várias coisas legais (professora com sotaque latino, colega da área de Letras, começar com dor nas costas e sair levinha, voltar a enxergar auras como há muito tempo não acontecia, 'ver' uma rosa e espirais de papel azul, 'virar' cobra, gente, borboleta, saber que o centro vai funcionar no carnaval etc), queria compartilhar uma visualização que tive durante um exercício. Aliás, isso de fechar os olhos e transportar-se para outros lugares me lembrou um pouco do xamanismo.

Quando estava como borboleta, primeiro vi perspectivas de uma parte da faculdade, depois eu me virava pelo ar e me vi voando entre uma espécie de céu e mar (tipo acolchoados e texturizados), ambos azuis (em tonalidades diferentes), meio surreais, acima e abaixo de mim, depois vi um ponto de onde saíam raios, isso eu ainda voando na direção do ponto, mas ele foi se abrindo (aumentando) para revelar que era tipo uma luz em final de túnel, eu via o túnel e o asfalto abaixo, mas ainda era tudo azul (escuro embaixo e claro em cima) - exceto pela paisagem colorida e iluminada lá do outro lado. Antes de chegar a sair do túnel, veio um monte de água - azul - inundando o lugar, vindo em minha direção. Mas eu não tinha medo nem me afogava, eu deixava ela vir me lavar.

Vou me limitar a apenas deixar esse relato, sem ir além em ampliações simbólicas. Voltei satisfeita e sinto que as aulas me farão bem, só senti falta desse momento de compartilhar o que vemos, então vou ter que fazer isso com vocês, rsrsrs!

A professora usa Namaskár em vez de Namastê, mas achei uma explicação AQUI, de que no fundo são a mesma coisa. Então eu lhes saúdo com a força de minha mente e o amor de meu coração...

fevereiro 10, 2009

Shri (Senhor) Ganesha

Um dia, quando estava no alojamento em Belo Horizonte, resolvi meditar. É, naquela posição (sentada) de lótus mesmo. Depois de uns dias, Ganesha começou a me rondar. E eu não sabia o porquê. (Não, não foi por causa da novela nova, hehehe!) Dele eu só sabia que era o "eliminador de obstáculos" e só conhecia um mantra da época que namorei uma pessoa que se dividia entre o panteão nórdico e o hindu. É um mantra que, por sinal, eu adoro cantar. Quem sabe o posto aqui depois...

No aeroporto de Brasília, já na volta, eles não nos fazem esperar pela conexão na sala de embarque, como sempre faziam. Fazem-nos é sair mesmo, então fico zanzando pelo aeroporto que tão bem conheço dos mais de 20 anos que morei lá. Uma loja me chama a atenção pelas imagens na vitrine: egípcias, africanas etc. Quando entro para procurar se havia algo grego, com quem me deparo? Com um pequeno Ganesha, com um "psi" (a letra grega em formato de tridente que é símbolo da psicologia, na qual sou formada). Havia outras duas imagens de Ganesha ali, mas diferiam dessa pelo material e pela representação (além de não terem o psi). O pequeno tamanho dele era ideal para carregar na minha bolsa e não causar olhares de desconforto quando eu chegasse em casa com ele.

[Foto do Ganesha que comprei em Brasília.]

Mas eu ainda não sabia o que ele queria comigo. Conversei com a minha amiga mestra egípcia Ky e ela sugeriu que eu visse qual grego seria o equivalente a Ganesha. Pensei em Hermes, como o que abre os caminhos, só que ainda assim eu achei que não era para fazer essa transição. Era Ganesha mesmo quem me chamava.

Então tive vontade de fazer Yoga. Nunca fiz, porque pensava que eu já sou quietinha demais e precisava era de artes marciais para extravasar energia. Porém, desta vez parei para refletir sobre isso e percebi duas coisas: primeiro que a melhor maneira de ir para um outro lado é esgotar todas as possibilidades de um. Igual quando olhamos demais para uma imagem 3D (ou mesmo da Gestalt) e a outra imagem repentinamente aparece - porque o cérebro muda sozinho para não estancar ou desligar; segundo que eu posso ser pacífica no exterior, essa coisa de taurino que se arrasta - embora o ascendente em gêmeos me deixe dinâmica -, mas minha mente não se detém um instante, está sempre pensando e interpretando e analisando tudo, e por isso fazer yoga poderia me ajudar a parar um pouco e desligar isso.

Quando finalmente tive um tempo para sentar diante da internet e procurar um lugar que oferecesse aulas aqui em São Luís, me deparo com o relativamente novo "Ganesha - Centro de Yoga". E em um lugar de ótimo acesso para mim. Então imaginei que essa fosse a confirmação de que, pelo menos, Ganesha quer que eu faça yoga. Se há algo mais que ele espera de mim, é provável que eu vá descobrir mais tarde, depois de ter começado a prática.

[Foto do nome do Centro de Yoga daqui.]

O resultado do Mythic Oracle que postei aqui foi na manhã do dia em que fui tomar informações lá no centro, na hora do almoço. Marquei uma aula experimental para amanhã, ao final da tarde. Vamos ver aonde isso irá me levar... Espero que realmente venha uma fase de iluminação, como previu a carta de Hélio.