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junho 13, 2015

Poemas

Gente, saiu o meu livro de poesias pela Editora Pragmatha, o Alvos Anis. São 108 páginas. :D
Em uma das orelhas há uma apresentação do Thiago e na outra a minha mini-biografia. Por enquanto, estou vendendo-o online eu mesma (até para poder mandar com dedicatória), depois veremos como fica.


Posso autografar para quem quiser. O livro é R$ 25 + 5 do frete (impresso) para todo o Brasil.
Segue o botão com o link para comprar pelo PagSeguro (me avisem ao mandar os R$ 30,00): 


Release:

Apresento aqui a vocês um livro de poesias que brotou de um questionamento: sou mesmo uma poetisa? Trabalhando aos poucos durante mais de vinte anos, obtive dezenas de amigos leitores que, constantemente, me forneciam palavras de incentivo e se declaravam encantados com meus versos. Jamais poderia decepcioná-los, deixando meus poemas submetidos egoisticamente à guarda de uma gaveta do armário, relegando à obscuridade um possível dom ou serviço.
Esse despertar literário sugeriu-me, em algum momento, que me libertasse de meu "eu-lírico" e começasse a escrever sobre o mundo, a religião, a opinião pública e a consciência dos homens. Mas tudo, claro, num diapasão de uma certa ternura.
Meu sonho de ver este livro publicado incluía o pensamento na satisfação daqueles que já usufruíam do meu ainda caderno de poesias e que poderiam conhecer muito mais, onde, num crescendo, descobririam como apreciar a entusiasmante literatura de quem procura se entregar em suas obras sem se deixar corromper.
De início, eu era apenas uma jovem que dava asas ao que possuía dentro de si, sem saber ao certo o que era e onde isso a levaria, que não se preocupava com academicismos e sim em passar ao papel os poemas ditados por um ser dentro de mim que foi gerado prematuramente e que hoje se reflete em momentos inesperados. Meus versos eram brancos, soltos, seja pelo pouco conhecimento que tinha de literatura seja pela influência dos mestres modernistas da época, que lia desde a infância.
Nessa clave, com o tempo passei a lançar um tema para que o leitor desenvolvesse sobre os poemas a sua própria verdade transcendente, reverberando cognitivamente a ideia impressa. Com formação em psicologia e letras, deparei-me estes dias com um estudo da Universidade de Liverpool, o qual diz que ler poemas faz mais bem ao cérebro do que livros de autoajuda. Então quem sabe ler poemas de uma ex-psicóloga seja ainda mais útil?  
Gostaria, finalmente, de agradecer às pessoas que souberam reconhecer e respeitar a minha maneira de amar (exposta nesses versos), a aqueles que acreditaram no valor desta obra, e a todos os que se atornaram inspiração para os versos. Que você, ao ler este livro, descubra virtudes escondidas dentro de si mesmo - coragem, liberdade, gentileza, cidadania, beleza e verdade. E que ele seja uma chave para um infinito interior de amor e devoção. Com a ajuda do sagrado que nos cerca.
Porque nosso alvo é o céu, e o céu é colorido de alvos anis.
A autora.

março 15, 2010

grão de outono é semente de primavera


Às vezes as pessoas acham que seguimos o calendário ao contrário, por estarmos no hemisfério sul. Mas pense como ele também faz sentido pra gente! Nas próximas duas semanas, as últimas de março, teremos a Elaphebolia de Ártemis, a Asclepieia e a Dionísia Urbana, com o outono chegando.

Outono...

Vem Dionísio, fornecedor da vinha, portador do tirso, enriquecendo-nos de frutos deliciosos, sementes de êxtase, brotos de liberdade; trazendo o mistério atrás das máscaras, o primeiro beijo que aquecerá o inverno, a fantasia em meio a colheita...

Vem Ártemis, caçadora, da lua crescente, que cuida da juventude, com toda a graça das folhas que caem e não das flores que nascem (como seria com Perséfone); é o momento da colheita das frutas, e Ártemis é deusa do nascimento, trazendo nova vida ao mundo; a Kourotrophos, que era procurada junto a Asclépio ao se pedir por um bom parto...

As cores do outono em muito combinam com as da lua crescente.
Os grãos do outono são as sementes da primavera.
A vida é algo que nunca morre, apenas se reencena - como o deus do teatro, renascido duas vezes - e uma coisa completa a outra.

Nas raízes, nos ventres, nas sombras, tudo onde só vemos o escuro e o escondido, no fundo está repleto de vida, uma vida que se prepara para nascer.
É fechando os olhos físicos que costumamos enxergar mais além.

E era assim que Asclépio curava, durante o sono, no sonho, na companhia da serpente - tão ctônica. Com ele, espera-nos alguém para nos acompanhar. Alguém que depois descobrimos ser nós mesmos. Nosso outro lado, quiçá o de dentro; aquele sábio que completa o tolo, e que se libera de sua racionalidade para vir dançar conosco nas sombras, na luz, na chuva. E ele traz a solução para os nossos males da alma e enfermidades do corpo.

Como um serpentino de Asclépio, o corpo entra na dança e o espírito entra em transe. Das árvores caem as folhas, mas da terra se erguem as forças de renovação.

Se eu sigo a pólis ou o equinócio, é o de menos. O que eu sigo mesmo é o movimento dos deuses...

novembro 22, 2009

Hermes Noumios/Oeopolus/Kriophoros (o bom pastor)

Minha versão do Salmo 23, feita de última hora depois de ver o mesmo postado em um blog :

Hermes é teu pastor, nada te faltará.
Se precisar, roubará para ti o rebanho de Apolo e se deitará em verdes pastos, tocando mansamente a lira de um casco de tartaruga.
Condutor de almas, ele as guia pelos campos de asfódelos e pelas planícies serenas do Hades.
Mas nada hás de temer, pois é também dele a transformação da alquimia e a abertura de estradas, o deus da travessia e das travessuras.
Seu caduceu e o adejar de suas asas nos confortam.
Levará rapidamente tua mensagem aos deuses e trará deles, na mesma velocidade, as bênçãos que cobrirão de movimento os teus dias.
Por todos os aeons, por todas as eras.
Ésto. Ghénoito. (Assim seja.)

~ Álex, 22/11/2009 ~

novembro 14, 2009

Encomenda

Ontem a Lu Polisel me pediu para escrever um texto com o tema Despedida, para ela ler em um sarau nesta próxima semana e dizer "com muito orgulho" que o texto é da sua amiga Álex "que mora em uma ilha lindíssima", hehehe! Eu fiz o texto a seguir e ela disse que poderia postar onde quisesse. ^^ Fica aqui então para vocês:
Enquanto estive aqui, meu coração transmutou. E agora preciso levá-lo a outro lugar, onde possa contagiar alquimicamente corações semelhantes.

Não se aflijam quando eu atravessar as ondas do azul. Ele é tão profundo quanto o amor que lhes tenho, tão misterioso quanto o elo invisível que nos une, tão vasto quanto os caminhos pelos quais o destino nos leva. Espero que o mar, que tudo acolhe, torne igualmente receptivo o meu novo lar.

Eu sigo a direção do sol, como Órion amou a Éos, a aurora. E, quando cai o véu da neblina, seguirei da mesma forma que olhar de Selene acompanhava Endímion.

Onde eu estiver, lembrarei de todos ao ver o fogo de Héstia e as crianças de Ártemis, pois sei que compartilharemos os mesmos pensamentos nos deuses.

Quanto a vós, se me amam, mantenham minhas plantas vivas e cuidem de si. Que nenhuma lâmina os atinja, e que nenhuma praga as invada. Que a doença se aparte de todos. Que, tanto nesses belos corpos quanto naquelas belas folhas, não haja excesso nem falta de sol, nem de água, nem de vento, nem de sombra.

Que, ainda longe, eu seja permeada pela lembrança da sensação que guardo de nossos abraços, do cheiro das flores, e de como costumáveis cerrar lentamente os olhos, como se fossem pálpebras flutuantes emoldurando esse espelho brilhante da alma.

Despeço-me, amados; despeço-me, amigos; despeço-me agora de meus espíritos irmãos. Que a caminhada seja segura, que a viagem seja prazerosa, que a ausência seja breve, que a distância seja um detalhe, que o carinho seja eterno, e que o reencontro se dê a cada noite: quando fecharmos os olhos e passearmos nos sonhos.

E caso a saudade for grande a ponto de transbordar em pranto, considerai as lágrimas como parte do oceano que me leva, constituídas do mesmo elemento, materializando um pouco de mim no lugar onde estais, tornando real minha presença. Farei o mesmo convosco.

O mar não nos afastou, é seu sal que nos une. E cada orvalho do dia que amanhece é uma promessa de travessia e de retorno.

( Alexandra, 13/11/2009 )


junho 22, 2009

Aos gêmeos divinos

Senhora das feras, amiga das ursas; arma meu arco como o teu crescente para que eu atire longe todo o pesar e temor. E, caso minha mira falhe, escorre tua saliva em direção às minhas feridas e cura-me em tuas peles de cor açafrão. Depois dilui-me no verde de tuas matas e torna-me mais um elemento no séquito dos seres que te dirigem todo o amor e devoção.

Luz dourada da lira, belo pastor de profecias; ilumina meus olhos para a verdade de teus oráculos. Que com o sol eu possa renascer a cada dia e refazer meu caminho seguindo a harmonia das esferas. Tu que és o 'mais grego dos deuses', enche minha vida de música, equilíbrio, pureza e perfeição.

'Ésto' (Assim seja)!

Álex