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dezembro 18, 2016

Balanço de fim de ano



Na minha vida pessoal, realizei algumas coisas este ano: namoro, carro, celular, ajudar meus pais, perder alguns medos. Mas, de um modo geral, 2016 foi um ano difícil em muitos aspectos: no mundo cultural perdemos grandes artistas, na política passamos por golpes e vimos resultados bizarros de eleições e tivemos perdas de direitos, no mundo metafísico vi muita gente sendo chacoalhado em suas crenças. Entre outras coisas que não vem ao caso escrever. E, voltando ao lado pessoal, estou meio indefinida com relação a trabalho… e meu peixe morreu. 

Quando você está de luto - seja pelo seu artista ou pelo seu país ou por uma ilusão ou sonho que perdeu - fica difícil estabelecer uma rotina religiosa de gratidão. Fica difícil focar no mundo invisível quando sua dor é real e o estresse te ocupa os dias.  

Então a gente cai naquela armadilha de fazer pouco quando mais deveria estar se apegando ao sagrado para se manter com esperanças. E se desanima. Você se sente abandonado, e Eles teriam o direito de se sentirem impacientes com você. 

Por um lado fico me perguntando se não deveríamos focar nas coisas boas e parar de reclamar, por outro fico percebendo que quem é otimista demais acaba não se mobilizando a mudar o que está errado. Com relação à política, vejo muita fala e pouca ação, muita gente se acomodando, achando ruim mas com medo de fazer algo que se prejudique ou que o tire do conforto da rotina garantida. Já com relação a crenças e relacionamentos, vejo muita reclamação de desejos não satisfeitos e pouca gratidão pela “sorte” (presente, dádiva) que temos de ter alguém - seja olhando por nós seja nos querendo. 

A verdade é que nossa memória é muito seletiva e atraída ao que nos convém. Muitas vezes este ano recebi graças dos deuses quando nem estava pedindo (estava só agradecendo o favor anterior), mas quando algo não acontece como a gente quer… aí já começamos a dizer que estamos com as crenças abaladas. Não está certo. E fim de ano é tempo de rever suas atitudes. 

Se você é de algum modo formador de opinião, se tem muitos seguidores, seria um desperdício não aproveitar essa força para mobilizar e inspirar atitudes de mudança. Acredito que a palavra para o próximo ano é coragem. Temos vivido muito anestesiados e acomodados e com medo de reagir, ficamos só assistindo os nossos direitos serem tomados e os outros nos imporem como devemos nos comportar e pensar e viver. Confiamos demais no “jeitinho brasileiro” que vai driblando as dificuldades como pode em vez de corrermos atrás de uma vida plena de verdade. 

Eu mesma estou considerando sair da minha zona de conforto de um emprego com ótimos benefícios e ir atrás de algo que faça mais diferença no mundo. Eu dizia que o que me incomodava era as pessoas perguntando por que alguém com a formação que tenho estaria num lugar tão burocrático e limitado, sendo que eu me sentia feliz ali, mas na verdade o que me incomoda talvez seja meu próprio comodismo e medo. Comodismo do apego aos benefícios materiais. E medo de não dar conta de algo maior, medo de não ser capaz de ser excelente em uma área com responsabilidades mais grandiosas. 

E, se eu convivesse com alguém com essas características, provavelmente ficaria impaciente algum dia. Não quero que os deuses me vejam assim. Quero voltar a ser alguém que os deixe orgulhosos. Quero vencer novas batalhas internas e conseguir atuar essas vitórias no mundo externo. Por isso espero que a palavra para 2017 seja coragem. Para romper barreiras, para se permitir tentar fazer dar certo, para agir de verdade e reagir diferente. 

Dizem que 2017 terá a regência de Saturno e Vênus. Na Kronia falamos de nos libertar das nossas amarras, na Aphrodisia celebramos Pandemos, que une a população em um único corpo social e político com a noção de comunidade, de “morar juntos” (synoikismos). Nós todos habitamos o mesmo espaço e precisamos fazer dele um lugar melhor para vivermos. Já está na hora. Senão o Tempo (Cronos) acabará por nos engolir. 


dezembro 24, 2015

Dioniso nestas datas

Há alguma evidência de que o nascimento de Dioniso fosse celebrado antigamente por volta do solstício (próximo a 25/12)? Vamos ver? 
No Panárion (Gr. Πανάριον), um tratado sobre heresias cristãs, escrito por Epifânio (Epiphanius; Gr. Ἐπιφάνιος) [315-403 EC aprox.], bispo de Salamís (Gr. Σαλαμίς), há uma passagem curiosa com relação ao 6 de janeiro, sendo esta data a festa cristã da Epifania (Gr. Ἐπιφάνεια, na antiguidade Teofania: Θεοφάνεια). Epifânio afirma que o nascimento de Jesus de Nazaré aconteceu nesse dia (mais tarde, a palavra Epifania passou a se referir ao Dia de Reis, mas aparentemente nessa época ela se referia à Natividade). Epifânio continua dizendo que, nesse mesmo dia, os pagãos estavam celebrando grandes festivais em várias localidades, e que na Alexandria havia uma festividade no templo de "Kóri" (Core ou Kore; Gr. Κόρη) ao alvorecer, celebrando o nascimento de "Aióhn" (Aion ou Aeon; Gr. Αἰών) por Kore. Aion é um Deus que é identificado com várias deidades, uma delas sendo Dioniso (Guthrie, W.K.C. A History of Greek Philosophy: The Earlier Presocratics and the Pythagoreans. Cambridge University Press, p. 478), assim como Osiris (Σοῦδα), que é normalmente identificado pelos gregos antigos como Dioniso. Epifânio continua dando exemplos, que em Pǽtra (Petra; Gr. Πέτρα), no mesmo dia, eles celebravam o nascimento do "filho do legislador de tudo" com uma virgem. Isso tudo pode ser encontrado no Panárion 51.22.3-11. 
Macrobius escreve no Saturnália (I.18.9-10) do século IV EC, equiparando Dioniso com o sol: "...algumas imagens do pai Liber estão representadas na forma de um garoto, outras de um jovem homem, às vezes também barbado, ou mesmo mais idoso... Mas as diferentes idades são para serem entendidas com referência ao sol. O sol é muito pequeno no solstício de inverno, como a imagem que os egípcios trazem de seu altar numa data fixa, com a aparência de uma criança pequena" (Macrobius Saturnalia Books 1-2, trans. Robert A. Kaster, 2011, LCL 510, Harvard Univ. Press [Cambridge MA and London England], pp. 249-251). 
O solstício é no dia 21, mas nos tempos antigos o minguante era para ocorrer vários dias depois, tipo no dia 25. E por que temos o 6 de janeiro dado por Epifânio? Podemos resolver isso como segue: "Com relação às datas, Norden demonstrou que a mudança de 6 de janeiro para 25 de dezembro pode ser explicada como resultado da reforma introduzida pelo calendário mais acurado de Juliano, usando o cálculo egípcio antigo que determinou 6 de janeiro como a data do solstício de inverno” (Greek Myths and Christian Mystery by Hugo Rahner, 1971, Biblio and Tannen [New York], p. 141). 
Aion é uma deidade identificada com Dioniso nos ensinamentos do Orfismo. Essa identificação é corroborada nesta citação das notas de um livro de Vittorio D. Macchioro: "Aion era filho de Kronos (Euripides: Heraclidai, 898), ou seja, idêntico a Protogonus de acordo com a teogonia de Hellanikos (Kern, p. 130, 54; p. 158, 85); mas Protogonus, Dioniso e Phanes eram idênticos (Aristocriton Manichæus: θεοσοφία 116, 15, Buresch; = Kern, 61). Erichepaius era idêntico a Dioniso (Hesychius: Ἠριξεπαῖος; Proclus: In Platonis Timœum, II, 102 D, E; = Kern, 170); Phanes com Erichepaius (Hinos Órficos, VI, 9). Protogonus era um dos nomes de Phanes (Damascius: Quœstiones de primis principiis, III; = Kern, 64) e de Erichepaios (Proclus: no Timeu de Platão, 29A; = Kern, 167); Phanes era Aion (Proclus: no Timeu de Platão, E; = Kern, 107). Uma inscrição de uma estátua de Aion em Eleusis (Dittenberger: Sylloge Inscriptionum, 3ª ed., 1125) confirma uma afirmação sobre a identidade de Phanes (Dioniso) e Aion. Aion era filho de Kore, ou seja, a mãe de Dioniso (Epiphonius: Panarion, 51, 22, 8-10). Epiphonius confunde a Deusa Kore com a Virgem, devido ao significado da palavra grega ϰόρη (de ORPHEUS TO PAUL: A History of Orphism by Vittorio D. Macchioro, 1930, Henry Holt and Co. [New York], pp. 251-252, nota 22.)  
Podemos seguir a sugestão moderna do festival dos Doze Dias Dionisíacos, começando dia 25 até o dia 5, e chamá-lo de Vakkhoyǽnna (Bacchogenna), genna significando nascimento + Baccho (Baco, Dioniso). Na antiguidade, existiam vários festivais nessa época. Esta é a estação brumal (inverno) e, por alguma razão, parece que essa época pertence a Dioniso, indo até a Anthesteria (festival das flores). Não tenho certeza por quê, mas talvez tivesse algo a ver com ele assumindo o trono em Delfos, o centro do mundo, no inverno. 
(texto de Kallímakhos, tradução de Alexandra) 

agosto 01, 2012

Convite de Rito a Selene, do grupo Thyrsos



"Encorajamento a todas as Casas dos Antigos Caminhos para abertamente honrar a Pasiphae
Rito a Selene na ocasião das Luas Cheias de agosto 
Nossa Oikos (Casa) está fazendo todos os preparativos e convida todo irmão e irmã heleno, cada Oikos dos Antigos Caminhos, para, nas duas noites de lua cheia, dias 2 e 31 de agosto, honrarmos Selene Pasiphae oferecendo-lhe pães, preciosa água pura, os hinos apropriados e preces que Ela merece.
Coletivamente e individualmente, instigamos cada um e todos a se dirigirem ao ar livre, sob a grande abertura do céu, usando suas roupas brancas, com luminárias em suas mãos, espelhando as estrelas do perpétuo Céu sobre a Terra, para honrarmos a irmã do nosso pai Hipérion.
Ela é como uma Deusa Guia, nesta escuridão que de qualquer maneira nos envolve, e nós invocamos Seus orientadores Aspectos de Renascença com a compreensão que eles fornecem, dando-nos o poder da limpeza no nosso espírito, alma e corpo.
Possam a Sabedoria e o Poder serem sempre generosamente oferecidos à nossa Casa!"
(Thyrsos, Gentis Helenos)
Θύρσος - Έλληνες Εθνικοί
Για την έρευνα,μελέτη και διάδοση του Αρχαίου Ελληνικού Πολιτισμού.
Thyrsos - Hellenes Ethnikoi
Pela pesquisa, estudo e divulgação da Antiga Cultura Helênica

junho 10, 2012

O Trânsito de Afrodite


Semana passada tivemos um alinhamento raro do planeta Vênus e esta semana teremos o dia dos namorados. Então imagino que caiba falarmos das andanças de Afrodite. E, no caso, da Afrodite na sua qualidade de mãe de Eros (o amor), nem tanto pelos seus outros epítetos. Mais especificamente, gostaria de falar sobre as suas companhias.

Quem é a "turma" de Afrodite? Com quem ela anda? Quem sempre a acompanha? Quais suas "amigas de infância"?
Graças
Detalhe das Graças, em foto de Helen Sotiriadis.
Quando Afrodite surgiu, ela foi recebida pelas três Horas. Elas quem a vestiram e a adornaram quando ela surgiu no mar. Essas foram as primeiras, que ainda andam com ela. As Horas são as deusas das estações e das porções naturais de tempo. Enquanto Deméter nos dá os frutos, na companhia das Horas, Afrodite nos dá as flores, com suas cores e beleza, principalmente a rosa, com sua essência voluptuosa e suas pétalas envolventes. Assim como os frutos têm sua hora de maturar e as flores têm sua hora de desabrochar, o amor precisa amadurecer para ser colhido, não pode ser forçado antes do tempo, antes da(s) hora(s). Afrodite e as Horas chegam juntas.

Depois a deusa Peitho juntou-se ao grupo. Antes que você pense besteira pela coincidência do nome, Peitho vem do grego e significa algo como uma delicada persuasão, uma vitoriosa eloquência. Ela que nos dá a capacidade de encantar o ser amado com palavras convincentes. Mas, ainda que seja uma persuasão poderosa, ela é doce, suave, uma conquista por consentimento (nunca pela força). O amor do reino de Afrodite só existe quando é concedido por livre e espontânea vontade - mesmo que depois você se sinta deliciosamente acorrentado ao seu amante.

E, por falar em consentimento, outras que se uniram à turma foram as Cárites. O verbo "charein" significa rejubilar-se e o nome "charis" significa uma graça ou favor livremente oferecido. Não tem muito a ver com o significado condescendente que adotou a palavra 'caridade' na cultura judaico-cristã. As Cárites são Agléia (esplêndida beleza), Eufrosina (boa disposição, alegria de pensamentos) e Tália (fartura, abundância). É por conta dessa boa disposição que, quando vemos alguém todo sorridente, já dizemos logo que ele/a "está amando". Algumas fontes diziam que as Cárites eram filhas do rio Lethe, o rio do esquecimento, o que explicaria o fato de os amantes esquecerem-se dos problemas quando Afrodite e suas amigas os movem. Essas amigas, aliás, eram as responsáveis pela toalete de Afrodite. Segundo Hesíodo, elas as banhavam e untavam seu corpo com óleos perfumados de fragrância doce. Homero também relata que, após Hefesto surpreendê-la com Ares na cama, as Cárites banharam e untaram Afrodite e a vestiram em trajes belíssimos. Essa áurea perfumada acrescenta um certo charme irresistível nos domínios do amor. As Cárites adoravam dançar juntas, principalmente nas noites enluaradas. E a noite nos lembra a outra amiga de Afrodite: Aidos.

Aidos era filha da deusa  Nyx (Noite). Ela era a deusa da modéstia, da vergonha, do auto-respeito. Ela guardava com suas asas escuras os segredos do amor e dos amantes. O amor é associado ao período noturno, às noites de lua, e não às claras vistas do sol. Um amor de verdade, um amor 'afrodisíaco', implica na presença dessa outra amiga da deusa, com um elemento de modéstia. A maioria dos animais tem uma vida sexual reservada e regulada; alguns se entocam em cavernas para se acasalar, outros têm regras de quem no bando pode fazê-lo. Quando Platão diz que a Afrodite Urania (celeste) era a do amor nobre e a Afrodite Pandemos (do povo) a do amor comum/público, faz-nos pensar que, para os gregos, o que classificava um amor como nobre era justamente a presença da deusa Aidos no ato de amor. A capacidade de sentir vergonha -- ao contrário do que pode-se pensar -- faz o amor aumentar. Quando Aidos não está, não se trata de estar livre de vergonhas, e sim de uma falta-de-vergonha mesmo, o que não é nada legal. A vergonha de Aidos é a do auto-respeito, da sensibilidade, então não tê-la é diferente de ser desavergonhado, tem a ver com a modéstia de reconhecer-se e sentir-se entregue. A intimidade de compartilhar um segredo íntimo torna o relacionamento mais pessoal, mais amoroso. 

Nocivo mesmo seria o sentir vergonha de si próprio, perder o prestígio (essa não é uma vergonha "aidos", é "aischros"), algo feio, deformado, desonroso, e que Platão diz que não tem nada a ver com a experiência do amor de Eros. Segundo Dodds ("Os gregos e o irracional"), a cultura helênica não girava em torno da culpa - como é a dos cristãos - mas girava em torno dessa vergonha devastadora de perder a consciência tranquila e a consideração pública. Os gregos tinham princípios, e só alguém com princípios pode se sentir desonrado por ter sido irresponsável, egoísta ou covarde. Quem vive sem nenhuma convicção espiritual ou moral, não tem sequer a vergonha Aidos, que dirá a outra! Aquela vergonha esmagadora de "aischros" é o que a revolução sexual tentou combater, e não a vergonha auto-respeitosa de "aidos". Uma coisa é a repressão, outra é a modéstia. Com Aidos ao lado de Afrodite, o auto-respeito e o amor andam de mãos dadas. É Aidos quem nos faz enrubescer, e esse rubor, essa face corada, demonstra o quanto as deusas não atuam apenas na alma, mas agem também sobre o nosso corpo. Em "Os Trabalhos e os Dias", Hesíodo menciona o abandono da terra por Aidos e Nêmesis como a razão para os sofrimentos dos humanos, que ficam desamparados contra os males. Aidos é quem preserva a pureza da alma e torna o ato do amor de Afrodite algo numinoso, sagrado, em uma mistura de sexo, sensualidade e religião. Uma união do êxtase com o divino. Portanto, essa união deveria ser algo ritual e secreto, e não algo realizado de qualquer jeito num motel de beira de estrada e exposto na televisão...

Modéstia, aliás, me lembra o fato de a belíssima Afrodite ter sido dada em casamento a Hefesto, um deus que é considerado "feio", talvez por ser cocho. (Um parênteses aqui para lembrar de Machado de Assis e seu Brás Cubas resmungando da moça "Por que tão bela, se coxa? Por que coxa, se bela?", hehe!) Afrodite considerava indigno alguém que só concedesse sua beleza para alguém que fosse tão belo quanto ele mesmo. Você precisa ser modesto para não ficar 'se achando' - e correndo o risco de ser castigado por Ela por conta de seu orgulho e arrogância. Eis mais uma lição de Aidos através da escolha de parceiro amoroso que Afrodite fez. 

Graças
Hipócrates (segundo citação de Viktor Salis) dizia que "quem não ama, adoece", que "a mais grave fonte de doença é ser falso com seus sentimentos com os outros e consigo" e que "entregá-los a qualquer um e de qualquer jeito é plantar dentro de si a desvalia, que resultará numa alma e corpo doentes".
Assim, quando vocês foram celebrar o amor no dia 12 de junho, lembrem-se de todas as companhias que caminham junto a Afrodite, e espalhem o amor no momento certo, com as palavras certas, com disposição, fartura e beleza, resguardando o auto-respeito e a honra de estar na presença de verdadeiras deusas agindo na sua vida, movimentando sua alma, enrubescendo seu rosto e levando seu corpo a experimentar um êxtase sagrado e secreto.

Afinal, ela, Afrodite, é uma deusa que realmente deixa "flores nos lugares que pisou"...

Hermafrodito adormecido
Detalhe de Hermafrodito adormecido, foto de Helen Sotiriadis.

janeiro 02, 2011

Ano Novo Civil

Perguntaram-me sobre a Heracléia - que é sugerida na virada secular de ano novo - e resolvi dar mais informações aqui no blog para quem tiver a mesma dúvida.

Apesar de não ter existido na Antiguidade um festival a Héracles Triesperos no solstício de inverno (vide "triesperon: season festive that was never a festive"), essa Herakleia de final de ano é um festival moderno que também se baseia na mitologia, como foi o festival da Heliogenna cujos mitos foram explicados anteriormente AQUI. E o relato é o seguinte:

A família de Héracles vem de Argos, já que Alcmena é filha do rei micênico Electrion, filho de Perseu e Andrômeda, que também geraram Alcedes, pai de Anfitrião. Alcmena se casou com esse seu primo Anfitrião. Eles foram forçados a fugir da cidade porque Anfitrião matou o cunhado dele, então foram parar em Tebas. Ali, Zeus veio à terra e se relacionou com Alcmena. Algumas versões dizem que foi em forma de neve dourada, outras que foi na forma de Anfitrião (o qual tinha viajado para a guerra), fingindo ser ele. Zeus ficou com Alcmena por três noites inteiras, daí Triesperos ('tria speros' = três noites). No mito, Zeus diz ao deus solar Hélio para desatrelar sua carruagem por um dia, fazendo o mundo ficar na escuridão por 24 horas a mais, assim Zeus pôde prolongar seu romance por uma noite de 36 horas.

Assim, celebra-se o retorno do sol, trazendo felicidade a todos.

Nessa época algumas pessoas preferem celebrar os Doze Dias Dionisíacos (como estou fazendo), outras escolhem a virada de ano para celebrar Hécate - das encruzilhadas e abertura de caminhos, e outro ainda me disse que iria celebrar Apolo, deus solar.

De qualquer forma, seja como for que você entrou 2011...

Αγαθή Τύχη, Αγάπη, Ειρήνη και Ευτυχισμένος ο Καινούργιος Χρόνος!
(Boa Fortuna, Amor, Paz e Feliz Ano Novo!)

abril 26, 2010

Xrónia Pollá

Sexta-feira 23 foi meu aniversário. Logo, resolvi postar sobre os motivos de como nós (seres humanos) costumamos comemorar essa data.

A crença de que a fumaça era uma boa forma de fazer suas preces subirem aos céus e o aroma do incenso ou da comida ofertada ao fogo agradaria aos deuses pode ter dado origem à tradição de acender velas sobre o bolo de aniversário. Talvez daí também venha o ato de se fazer um pedido antes de soprá-las, afinal, a fumaça só surge quando as apagamos.

Apesar de o bolo com velas ser registrado como algo que surgiu na Alemanha do século XIII, nas festas infantis (kinderfeste), sua origem - como tudo, claro, rsrsrs - é da Grécia Antiga. O bolo em si foi evolução de um preparado de mel com pão que os devotos de Ártemis levavam para ela em Éfeso. O bolo era redondo como a lua (Ártemis é uma deusa lunar) e as velas simbolizavam o luar que ilumina a terra. Ártemis também é a deusa dos nascimentos, partos, crianças, então é natural que os bolos de aniversário sejam mais frequentes nas festas infantis.

Agora, sem ter lido nada parecido em lugar algum, eu arrisco dizer que a história de o aniversariante dar o primeiro pedaço a quem lhe é mais caro lembra-me demais Héstia, a quem os helenos ofertavam sempre o primeiro e o último de tudo o que comiam e bebiam, além de fazer libações ao Agathos Daimon (o Bom Espírito). Assim, a gente escolhe se perguntar quem seria o Bom Espírito (ou a boa alma) que merece uma homenagem nossa no corrente ano.

Portanto, de hoje em diante, quando vocês estiverem presentes em um aniversário, lembrem-se dos gregos, lembrem-se de Ártemis, lembrem-se de elevarem seus pensamentos e preces aos deuses na hora em que as velas se apagam, e não se esqueçam de dar a Héstia a sua devida porção. Quando assim fazemos, qualquer mínima refeição pode virar um belo de um Banquete...

março 03, 2010

Blogagem Coletiva: 8 de março

Participe!




As 130 mulheres que morreram naquela fábrica de tecidos de algodão e indústria têxtil em 1857, homeageadas com um Dia Internacional da Mulher a partir de 1910, eram tecelãs que marcharam por melhores condições de trabalho, diminuição da carga horária e igualdade de direitos.

Isso me faz lembrar das Moiras, as deusas do Destino, que fiam, tecem e arrematam as vidas de todos, e me faz pensar que uma das coisas a comemorarmos neste 8 de março é o fato de hoje termos mais oportunidades de sermos agentes nos próprios destinos, fazendo as nossas escolhas que geram as consequências as quais formam as imagens da tapeçaria no tear das deusas, e não mais deixando que alguém apresente um modelo formado e estabelecido para uma classe - a das mulheres.

E não eram só os homens que faziam isso, muitas mulheres mesmo tinham a atitude de perpetuar sua dependência e os valores que internalizaram sem questionar, que aprendiam e transmitiam sem jugar sua validade. O grande lance não é sair de casa, deixar de acompanhar o crescimento dos filhos, precisar trabalhar fora para se sustentar etc, mas sim ter o direito ao livre-arbítrio, o de escolher ficar em casa, e não ser obrigada a ficar em casa porque nasceu-se biologicamente mulher. Aliás, isso expande-se ao direito do homem também ser um pai menos ausente e um marido com menos responsabilidade por pessoas que lhe seriam totalmente dependentes (principalmente em termos financeiros).

Quando paramos de comprar telas pintadas nas quais costuramos ou bordamos em cima de um desenho pré-fabricado (e com as cores também já determinadas) e resolvemos criar a partir de um novelo cru em uma tela branca, damos às mulheres mais chances de conhecer o mundo e damos aos homens mais chances de conviver com sua família, entre outras oportunidades que criamos para ambos ao deixá-los escolher que desenho de tapete irá mostrar quando Átropos cortar nosso fio. Cloto tece-o, Láquesis puxa-o e enrola-o, mas a direção e a forma dos pontos dados cabe apenas a nós. E cada vez cabe mais a nós do que aos outros.

Pode parecer mais fácil deixar de fazer escolhas, esperar que alguém nos diga o que fazer, em quem votar, para que time torcer, em que deus acreditar, qual profissão seguir, não ter culpa pelos resultados das escolhas erradas e tudo o mais. Só que ao fazermos isso, não vivemos nossa vida, vivemos a vida de outro. E desperdiçar uma vida inteira é muito tempo perdido e inutilizado, quando poderíamos estar realizando o nosso daimone, aquilo para o qual viemos ao mundo, o que viemos fazer, a nossa missão e talento.

Então neste 8 de março de 2010 eu escolho comemorar a ampliação da nossa oportunidade de fazer escolhas.

E que, em homenagens a aquelas tecelãs do passado, possamos criar imagens cada vez mais belas e significativas no tear dos Destinos!

outubro 19, 2009

"Dia de Amar Seu Corpo" (sempre)

Se a campanha de blogagem coletiva pede para falar de beleza, vamos ao conceito dela naquilo que conheço de melhor: a cultura helênica. ;D Baseei-me na tradução que postei AQUI, mas fiz diferente e a trouxe para a nossa realidade. Des-frutem*!

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A beleza para os gregos tinha a ver com ordem, organização, estabilidade, daí a palavra para universo ("cosmos") ser a mesma que dá origem à ornamentação ("cosmético"). Tudo no universo era belo, por provir do divino; seja a beleza da natureza seja a do corpo humano. Era um mundo que Tales de Mileto descrevia como "cheio de deuses".

Quando o ser humano se afasta do divino, sofre, vive em um deserto vazio e solitário, um lugar... feio. As mulheres desse mundo materialista são vistas como objetos, classificadas como *frutas (vide mulher-melancia e suas sucessoras), e não mais como parte da beleza da criação. As pessoas começam a ser cotadas de acordo com sua fama e seu dinheiro, em vez de serem admiradas pelo que podem refletir do sagrado que lhes habita o coração. Não se valoriza mais a mente sagaz, a preocupação ambiental, a vontade de ser útil e prestativo, o relacionamento solidário com os outros seres humanos.

A beleza no helenismo corresponde à VERDADE, à refletir as coisas como elas realmente são, a uma autenticidade no que se mostra (e não com retoques de Photoshop, que nem existia), no relacionamento transparente que se apresenta com o que nos cerca. A beleza que não é superficial, que é acompanhada do trabalho sagrado (sacro-ofício, sacrifício) do mundano em prol do divino, essa sim é capaz de transformar a pessoa inteira (e não sua imagem ou fotografia), a qual passa a olhar para dentro, e refletir a beleza que ali encontra. Uma beleza representada a partir do olhar que se modifica - e "os olhos são espelho da alma e janela para o mundo". Quando conseguimos refletir esse belo, atraímo-los também, e passamos a encher de beleza tudo à nossa volta, todas as coisas tristes e sem sentido de antes passam a retribuir o 'olhar amoroso' que lhes damos.

É bem verdade que havia um cultivo do corpo, jogos olímpicos, atletas, espartanos e tudo o que já conhecemos da Grécia Antiga. Mas era também bem claro para eles que nada disso bastava se o interior fosse deixado de lado, se não se treinasse a mente e o espírito através da poesia, da música, da filosofia, da retórica etc. "Isso seria como oferecer a alguém um cálice dourado esculpido de ornamentos, mas cheio de água salobre e lama", disse uma vez Sannion, helenista dos EUA. Para os gregos, a harmonia, a justa medida (métron), tal como o 'caminho do meio' que ensinam os budistas, era fundamental. "Nada em excesso", dizia o oráculo de Delfos. Nem para mais nem para menos.

É essa harmonia que reflete o cosmo, a ordem natural. Sair dessa ordem, descontrolar seus desejos, pensar só em si, ser avarento e irritado, tudo isso eram coisas que pertubavam o espírito e desfiguravam o corpo. A arte mostrava isso, pois vemos que as figuras atormentadas eram retratadas como horrendas, ao lado de tantas estátuas gregas lindíssimas e de expressão serena, de bem com seu interior. Era uma espécie de elegância que tornava tudo bonito. O 'feio' era estar em agonia e em desesperança.

A beleza na religião helênica é um dos princípios mais essenciais, é uma CRENÇA ("acredite na beleza", como bem colocou a empresa moderna), é um RESPEITO ("ame o seu corpo", como diz esta campanha), é algo que torna a vida digna. Lembrando outra campanha, "imagem não é nada" quando há "sede" de deuses e de um sentido maior para a nossa existência.

Portanto, divulgue todos os dias, a começar por hoje mesmo, esse novo olhar que encontra o belo no exterior de si porque está cheio dele por dentro. Lembre-se que em várias mitologias a mesma deidade que representa o amor carrega a representação da beleza, e passe a amar-se e a amar o mundo e todas as suas criaturas. Com certeza o COSMO ficará mais belo assim.
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Veja mais em:

Dia de Amar Seu Corpo

e em:

Love Your Body Day

junho 27, 2009

Kronos was a headbanger

Uma vez escrevi aqui sobre o festival da Galaxia, citando como os Curetes inventaram a dança em armadura, com ritmo frígio e flautas; um barulho que distraía Cronos enquanto eles mantinham Zeus escondido. Nesse dia, a Iony me perguntou como seria o ritmo frígio e eu lhe expliquei. Mas desde lá fiquei pensando que outros podem ter a mesma dúvida e que poderia aproveitar para citar os modos gregos, dando exemplos de músicas atuais. Então, como só agora parei para organizar isso, vamos lá:

~ Exemplos de músicas com os modos gregos e quando utilizá-los ~

Modo Frígio: 'Wherever I May Roam' e a transição de 'Creeping Death' (Metallica), 'Trust' e 'Symphony of Destruction' (Megadeth), 'Hunter' (Björk), 'Remember Tomorrow' (Iron Maiden), 'Sullen Girl' (Fiona Apple), 'Phrygian Gates' (John Adams), 'Would?' (Alice in Chains), 'Calling to You' (Robert Plant), 'For the Love of God' (Steve Vai), 'Deeper Underground' (Jamiroquai), 'Not to Touch the Earth' (The Doors), 'Once' (Pearl Jam), 'In the Name of God' (Dream Theater), 'If U Seek Amy' (Britney Spears). --> Principalmente nos festivais e cultos ligados a Cibele/Réia. Tenho a impressão de que os cultos a Hermes poderiam ser colocados aqui também.

Modo Dórico: início de 'Wave' (Tom Jobim), 'Eleanor Rigby' (Beatles), 'Milestones' e 'So What' (Miles Davis), 'The End' (The Doors), 'Smoke on the water' (Deep Purple). --> Nos festivais pan-helênicos, como os jogos ístmicos em Corinto, os jogos de Neméia na Argólia, os jogos pítios em Delfos e nos Jogos Olímpicos. Também no culto a Deméter.

Modo Lídio: 'Answers' e 'The Riddle' (Steve Vai), início de 'Overture 1928' (Dream Theater), 'Freewill' (Rush), estrofes de 'Man on the Moon' (R.E.M.), 'Blue Jay Way' (The Beatles, mais especificamente como George Harrison tocou na Magical Mistery Tour), introdução de guitarra no 'Dancing Days' (Led Zeppelin), 'Flying in a Blue Dream' (Joe Satriani), 'Beyond the Boundaries' (Jimmy Cliff), 'Unravel' (Björk), 'Follow my way' (Chris Cornell), 'Arcane Lifeforce Mysteria' (Dimmu Borgir), 'Little Red Corvette' (Prince), 'Every Little Thing She Does is Magic' (The Police), 'All I Need' (Radiohead), maioria dos solos de guitarra das músicas mais recentes de Frank Zappa, tema dos Jetsons, início do tema dos Simpsons. --> Cultos a Baco/Dionísio, a Héracles, a Afrodite, a Ártemis, e os festivais de Tebas.

Modo Mixolídio: blues de tom maior, como 'Scuttle Buttin' e 'Pride and Joy' (Steve Ray Vaughan), 'Norwegian Wood' (Beatles), 'The Visitors' (ABBA), 'Satisfaction' (The Rolling Stones), 'Drinking in L.A.' (Bran Van 3000). --> Dizem que este modo foi inventado por Safo, então convém associá-lo a Afrodite e Eros.

Modo Eólio: 'Fear of the dark', 'Hallowed be thy name', 'Running Free' e 'Still Life' (Iron Maiden), 'Achilles Last Stand' (Led Zeppelin). --> Cultos a Apolo, Ártemis, Atena, Hefesto, festivais da Beócia, de Lesbos e de outras colônias gregas na Ásia menor. Odisseu esteve na ilha de Eólo, que lhe proveu com Zéfiro (vento oeste).

Modo Lócrio: primeira parte de 'Painkiller' (Judas Priest), 'Symptom of the Universe' (Black Sabbath), começo de 'YYZ' (Rush), parte principal de 'Painkiller' (Judas Priest), refrão de 'Our Truth' (Lacuna Coil). --> Culto a Perséfone e aos heróis da guerra de Tróia, festivais da Magna Grécia e de Amphissa.

Modo Jônio: 'Let It Be' (Beatles), primeira parte do 'Always With Me, Always With You' (Satriani). --> Culto a Zeus, Hera, Atena, e os demais festivais mais populares.

Agora você pode criar sua "playlist" para cada cerimônia.
;D

maio 27, 2009

Origem dos nomes dos meses

O ano romano no calendário de Rômulo começava em março. Março é uma homenagem a Marte, deus da guerra. Em seguida vinha Abril, relacionado a Apros/Afros, de Afrodite, nome grego de Vênus. Maio seria em homenagem a Maia (amada por Júpiter e mãe de Mercúrio) e Junho homenageia Juno (Hera, para os gregos). Depois vinham os meses Quintilis, Sextilis, Setembro, Outubro, Novembro e Dezembro.

Numa Pompílio quis igualar o calendário romano com o dos gregos e fenícios e reformulou-o, instituindo Janeiro (em homenagem ao deus Janus) e Fevereiro (Februarius), que vem do latim februus, adjetivo que significa "o que purifica, purificador". No mês de fevereiro, realizavam-se cerimônias de purificação, como sacrifícios expiatórios e os ritos de purificação chamados "lupercálias". Os meses Quintilis e Sextilis foram rebatizados homenageando os dois primeiros dos doze césares: Julho (Júlio César) e Agosto (Augusto). Por isso as festas de junho são juninas e as de julho são julianas (e não 'julinas' ou 'julhinas'). Para não dar mais importância a um dos dois césares, julho e agosto têm o mesmo número de dias. É por conta desse ajuste que se teve que tirar dois dias de fevereiro e, a cada quatro anos, lhe devolver um.

Abril

A relação de aprilis com aperire (abrir) surgiu posteriormente, na vigência do calendário de Numa Pompílio, por ser abril o mês da primavera, em que "todas as coisas se abrem". Originalmente, Abril vem de Aprilis, nome de um dos espíritos que seguiam o carro de Marte, deus da guerra, que deu nome ao mês de março. Portanto, Abril não se relaciona com o latino aperire, mas com o grego Apros ou Afros, designativo de Afrodite, nome grego da deusa Vênus, ou com o sânscrito áparah, que significa "posterior", aparentado com o gótico afar ou aftra, que significa "depois" (será que vem daí o inglês after?), pois abril era o segundo mês do ano no calendário de Rômulo (daí os nomes setembro, outubro, novembro e dezembro para os meses sete, oito, nove e dez).

Lupercálias

As lupercálias eram festas em homenagem a Pã, realizadas no dia 15 de fevereiro, em que jovens saíam nus da gruta Lupercália flagelando os transeuntes com um cinto de pele de cabra chamado também lupercal , considerado capaz de eliminar a esterilidade e provocar partos felizes. O nome "Luperca" designa a loba que amamentou os gêmeos Rômulo e Remo na gruta chamada Lupercal. Na realidade, "lupus", lobo, em latim, primitivamente, não tinha feminino. A loba-animal era "lupus femina". "Lupa" designava a cortesã, daí o nome "lupanar" para designar o prostíbulo. A "lupa" que amamentou os gêmeos era, na verdade, uma cortesã chamada Aca Laurentia ou Laurentina. Os sacerdotes romanos é que "purificaram" (¬¬) a origem de Roma, atribuindo à loba-animal a amamentação dos gêmeos que fundaram a cidade.

Lupercal

Lupercus se teria originado da justaposição de lupus (lobo) com hircus (bode), mas, como era outro nome de Pã, deus dos pastores e dos rebanhos, presume-se que lupercus signifique também "o que afasta o lobo".

~ Adaptado da Revista 'Língua Portuguesa'. ~

abril 22, 2009

Dia da Terra

"...Do mar se diz terra à vista
Terra para o pé firmeza

Terra para a mão carícia

Outros astros lhe são guia.


Terra! Terra!
Por mais distante
O errante navegante

Quem jamais te esqueceria?

De onde nem tempo, nem espaço

Que a força mãe dê coragem

Pra gente te dar carinho

Durante toda a viagem..."

(Caetano Veloso)

Se o dia da Terra é hoje, ela é mesmo do elemento terra, pois 22 de abril é signo de touro.

Podemos tentar comemorar a data caminhando descalços na terra (pode ser na areia, na grama etc), saborear os alimentos que vêm dela conscientes do presente que nos dá, fazer um exercício brincando de passarmos de semente a árvore (encolhendo, crescendo, se enraizando, alimentado-se de seiva/energia), aproveitar esse tempo de chuva para sentir o aroma do solo molhado, enfim, tudo o que nos conecte com a natureza.


Como deidade, Geia/Gaia/Terra é ctônica e está associada principalmente a juramentos, poderes oraculares e aos mortos. Viemos dela e a ela voltamos. As cores do dia são mais escuras. Há uma sugestão de ritual com ofertas e links para os hinos antigos clicando AQUI.

Boa celebração!

abril 09, 2009

Dela, a 'Delia' (brilhante)...

A Ártemis, com incenso canforado:

A deusa da floresta se move silenciosamente em busca da caça. Seus pés se alternam como as fases da lua. Seu arco se curva como o crescente. Sua flecha tem a retidão de sua pureza. Arma em mãos, alvo em mente, cão ao lado; contra o vento, base firme, pulso seguro, ela atira. O universo silencia. Ele sente a ação da Senhora das Feras. Sua presença é bênção que cobre tudo de paz. Sinto o calor do sangue recém-colhido. Meu espírito se ergue ao cheiro de sua presa. Meu coração se acalma e me deito a seus pés. Ela me alimenta. Estou viva. E sou dela.

(Álex, 09/04/09, 00:44)

março 11, 2009

Festival das Cores!


Hoje é dia de Hopi na Índia, o festival das cores, quando as pessoas jogam pós coloridos umas nas outras.

Há vários mitos relacionados a essa celebração. Um deles diz que foi Krishna que popularizou o festival ao pregar peças nas 'gopis' (pastoras de vacas). Krishna teria reclamado com sua mãe sobre o contraste de sua cor escura e a cor clara da sua consorte Radha. Por isso, as celebrações são na primavera, estação que celebra o amor.

O significado literal de "Holi" é "coisa do passado". Ele nos ensina que o que passou, passou. O que aconteceu antes? Esqueça. Se você foi elogiado, massa; se foi insultado, massa também, porque tudo já acabou.

E deixemos as cores espalharem a alegria!

Veja mais no site: http://www.holifestival.org

março 08, 2009

Meme para mulheres, no nosso dia

Indicação da Luciana Onofre do La Bruja y su Casa!

Escrever 7 segredinhos de beleza seus;
Convidar 7 parceiras de blogs amigos para responder;
Comentar no blog de quem lhe convidou;
Comentar no blog das suas convidadas, para que saibam da "convocação";
Linkar o blog que te convidou, no seu blog (no post em que você responder as perguntinhas).

1. A 'Santíssima Trindade' da pele: limpar, tonificar e hidratar.
2. 'Alimentar' os cabelos uma vez por semana com um suplemento nutricional de restauração.
3. Esfoliar antes de depilar, para evitar que os pêlos encravem.
4. Ir ao salão cuidar dos pés e mãos e sobrancelhas, e às vezes dar uma cortadinha no cabelo e fazer hidratação caso eu pinte.
5. Tomar 1 complexo vitamínico (de A a Zinco) toda manhã.
6. Só lavar as mãos e o rosto com sabonete líquido (que tem pH neutro e alguns têm até partículas para esfoliação).
7. No mais: maquiagem leve, reparador de pontas, pouco sol, auto-massagem e yoga. Na falta de alguma coisa, passar azeite de oliva que faz milagres (é quase como o Limpa-Vidro Windex do filme "Casamento Grego", rsrsrs!).

=D

Eu não sou muito disciplinada com essas coisas físicas, mas acho que quando as outras áreas estão bem isso reflete na beleza exterior que aparentamos.

Minhas indicadas são:
1. Iony, do Alma Rubra
2. Thaís, do Verdejando
3. Christina, do Curiosa Identidade
4. Babi, do A Guerreira Interior
5. Lorien, do Lorien's workshop
6. Você que está lendo isso...
7. E quem mais quiser fazer.


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PS.: Repararam no ícone do sofá que tem agora na janela/aba do seu navegador? ;))

fevereiro 12, 2009

Feliz Sexta-Feira 13!

O medo específico da sexta-feira 13 é chamado de "Paraskavedekatriaphobia" (parascavedecatriafobia), ou ainda frigatriscaidecafobia.
Parece sânscrito, mas é grego. Rsrsrs!