Ontem cheguei no ensaio e adivinhem qual música fomos aprender? SABIÁ (composição de Luiz Gonzaga e Zé Dantas). Relatei no post anterior que o pássaro que me apareceu era um sabiá e que o texto no site que fala de ornitomancia falava sobre uma dor que iria acabar. Sabem como é a letra dessa música?
Sofá da Álex
Blog pessoal sobre religiosidade e espiritualidade helênicas, voltado para quem se identifica com a religião politeísta grega antiga e procura praticá-la adaptada à realidade atual. Inclui vivências e experiências com os deuses da Antiga Grécia e outras deidades afins, suas conexões práticas e filosóficas. Abarca também a psicologia como autoconhecimento.
agosto 11, 2026
E o sabiá já sabia
agosto 09, 2026
O tordo e o todo
"Day one, day one. Start over again..." (Alanis Morissette)
Bom, vamos lá!
Ontem foi o que chamam de um portal, pelas datas repetidas (08/08). No dia anterior, consertei algumas coisas, imprimi as partituras que cantarei no coral este semestre e comecei a trabalhar num artesanato que terminei ontem. Na manhã do sábado, banhei minha cachorrinha, fiz almoço e limpei a casa. Terminei então de customizar uma lira de tília que comprei do tipo DIY (Do it Yourself - Faça você mesmo), primeiro pirografando na madeira, depois envernizando com a cor que escolhi e depois colocando as tarrachas, ponte e cordas (foto abaixo). Claro que fiz prece a Hefesto e Atena antes do trabalho manual, mas o instrumento em si dedicarei a Apolo e Ártemis, e escrevi meu nome atrás em grego e no Linear-B micênico. Ao pôr-do-sol, fiz meu rito do sábado, com algumas alterações. No oráculo de cartas, saiu Penélope (Rainha de Espadas) e a realização pessoal de Dédalo (9 de ouros). Ressoou bem com o meu momento. Também aproveitei para colocar meus cristais para energizar na chuva. À noite tive um sonho que serviu para o meu dia dos pais, mais como mensagem para mim mesma e as imagens que criamos e que por vezes nos limitam até conseguirmos virar a chave.
Hoje de manhã, quando chego no meu carro, vejo um pássaro morto no chão abaixo e à frente dele. Nossa primeira reação tende a ser um susto, mas - conhecendo as curvas da ornitomancia - sei que funciona diferente (como a carta da morte no tarô). Fiz preces a Hécate e Hermes encaminhando o pequeno ser, e mandei foto para a minha terapeuta holística. Ela, que conhece bem os meus processos, disse que - no ponto de vista dela - poderiam ser 3 coisas: "Comunicação de mortos; Ciclo que se encerrou; Uma libertação que aconteceu". O que me fez todo o sentido. No artigo sobre ornitomancia do meu site, inclusive, tem o trecho que diz "Se você vê um pássaro morto na estrada ou bate em um, por mais que a morte seja algo ruim talvez isso signifique que a dor vai acabar: a dor do seu coração partido, a dor de estar procurando um emprego... A morte do pássaro pode anunciar o final da sua busca e/ou do seu esforço". Com relação ao pássaro, me pareceu um sabiá, que é da família do tordo. O tordo é uma ave associada a Euterpe, a musa da música. Bem apropriado também para quem acabou de customizar uma lira.
É importante a gente fazer essas costuras entre as coisas e ir percebendo as sincronicidades como pontos nos teares dos destinos (Moiras). Claro que sempre com moderação, na justa medida (métron), para não extrapolar para uma superstição (deisidaimonia). Quando cheguei na casa da minha mãe em outra cidade, soube que teve um tornado num município que fica a 2 horas daqui, no mesmo 08/08, mas lógico que é algo rolando com todo mundo (o tal do portal) e não algo que gire em torno da gente. O importante é enxergar algumas coisas como se fossem uma resposta às suas ações, um resultado dos seus esforços e investimentos. O ditado da antiguidade era "junto com Atena, erga também sua mão". O de hoje em dia é "deus ajuda quem se ajuda". Faça sua parte e confie, mas não deixe de fazer a sua parte.
Esses sinais nos servem para ensinar a sermos gratos. Agradecer um presente faz o outro ter mais disposição de te presentear novamente, enquanto que achar defeito tira a vontade de tentar te agradar de novo. Semelhante atrai (e cura o) semelhante.
Pensei se deveria esperar mais o desenrolar das coisas antes de escrever aqui, mas acredito que já imagino o que virá e que precisarei separar o que já é publicável e o que ainda será surpresa.
Por ora, deixo essa dica: aproveite sua energia para o que realmente vale a pena, e a resposta dEles virá.
agosto 02, 2026
Seis anos em suma
Do último post para cá, resumindo muito (e provavelmente esquecendo de citar bastante coisa): concluí um mestrado, terminei um relacionamento, vendi meus instrumentos, fiz tatuagem órfica, gravei podcasts, me mudei mais duas vezes (a última finalmente pro meu próprio apê), entrei na justiça pela primeira vez e ganhei, assisti um musical, fui ao teatro algumas vezes, participei de worshop de azeitologia, atendi online como psicóloga, fui a show da Alanis, consegui concluir vários perrengues demorados, me descobri de Ártemis, voltei pra Hellenion, me filiei a um partido, entrei na Mensa, saí da Mensa, passei por umas seis cirurgias, me descobri autista, encomendei o encaminhamento de almas vagantes pra luz, estou em tratamento holístico, mudei minha alimentação, emagreci, voltei a cantar em coral, estou tendo que cuidar de pais idosos, comecei um protodemos, fui visitada por gatos e outros animais, e apareci em vídeo pela primeira vez para um canal da internet (e que não era o meu).
Soltei a mão de supostos amigos antigos, fiz novas amizades, me reconectei com alguns parentes.
No meio disso tudo, muitos sonhos reveladores e sinais dos deuses, sincronicidades e coisas impressionantes às quais sou grata. Cada dificuldade foi uma limpeza, cada conquista foi um presente conjunto, cada vitória foi em equipe: os deuses, os mestres e guias, minha terapeuta holística (maravilhosa) e eu.
Aprendi a fazer com constância ritos aos ancestrais e perceber os benefícios dessa prática. Aprendi também a reconhecer o que é meu e o que não é, como parte do "conhece-te a ti mesmo" que todo heleno precisa buscar. E a cada dia batalho pela "areté" (excelência na virtude), com ainda bastante coisa para aperfeiçoar, mas cada vez mais satisfeita com os resultados.
Como diz uma certa música que aprendi quando adolescente: "eu vim por causa daquilo que não se vê" e "eu tive ajuda de quem você não acredita". Nesse caminho a pé e difícil, a escolha do destino e de ficar foi minha, e quando temos certeza do que queremos o universo todo te é propício.
Depois de gravar no ano novo helênico minha participação em um episódio que foi ao ar no dia da Lua do Cervo, e no qual citei este sofá/blog, resolvi tornar a escrever.
Agora te convido a voltar a ficar comigo aqui e a acompanhar um pouquinho da minha "kharis", ao menos daquelas partes sobre as quais posso contar. *rs* 😄
maio 09, 2020
julho 26, 2019
Da Dor
O quanto penso em você
Com o meu coração?
Quem está agora ao teu lado?
Voltando à deusa, foi Perséfone quem ajudou Orfeu. E acho curioso que, toda vez que penso no tema da morte, me lembro que ainda não decorei os versos órficos que precisamos dizer a ela quando atravessamos pro outro lado. Por mais que eu tente, na hora decoro e depois me esqueço. Acho que isso é meu inconsciente se recusando a me deixar desistir de tentar ficar.
Um dos possíveis significados do nome de Perséfone é "a que destrói a luz", por isso que é nela que penso quando estou nesses lugares sombrios da minha mente e coração. Ela ajuda a atravessar entre os mundos. E quando essa dor é por causa de algo do passado, talvez a gente precise se lembrar da Medusa, a que petrifica, aquelas coisas que fomos cristalizando e que não conseguimos destruir. Talvez um espelho te ajude, como ajudou Perseu. Olhe como você cresceu e tudo o que já venceu e como pode realizar mais feitos heróicos ainda...
Mas, se você ver alguém triste, o que não funciona é dizer "fica bem". Esse 'conselho' não ajuda, porque ninguém escolhe estar triste. A gente pode escolher permanecer remoendo, mas não é com frases motivacionais que se sai do ciclo. Na palestra foi falado que a sociedade ainda não sabe lidar com a tristeza dos outros.
Então ou a gente procura ajuda profissional ou usa dos artifícios que conhece que nos fazem sentir melhor. Se for muita coisa para superar, não tenha vergonha de pedir essa ajuda. Eu ainda vou esperar o meu desfecho antes de saber a quem recorrer - seja deus ou mortal. Mas se você também está às voltas com esse tipo de energia, não se cale, conversar ou escrever serão sempre catarses válidas para lidar com o que polui o nosso templo (físico, mental e espiritual).
Desejo sorte e paz para a gente. E que o amor prevaleça sobre o erro.
junho 10, 2019
"A Feitiçaria na Atenas Clássica"
Hécate é uma deusa dos marginalizados e a bruxaria é uma ferramenta dos desprovidos de direitos. Hécate é um exemplo popular de um tópico e deidade que é terrivelmente mal-interpretada, mal-representada e normalmente ignorada por causa de sua popularidade ser vista como um incômodo e não como uma característica. Não só por ela ser uma deusa da bruxaria, mas por ser uma deusa de muitas funções e muitos epítetos. “Soteira” (Σώτειρα) significa “salvadora”, um de seus epítetos. Seu deipnon (ceia), durante a lua nova, não era apenas uma forma de lhe fazer ofertas, mas também de prover comida para os desabrigados e famintos. Ajudar os necessitados era uma forma de oferta a ela, por mais que alguns torçam o nariz. Sendo uma deusa de fronteiras e lugares limítrofes, faz sentido ela ser associada com os marginalizados, com a periferia. Aristófanes cita "Pergunte a Hécate se é melhor ser rico ou faminto; ela lhe dirá que os ricos lhe enviam uma refeição todo mês e que os pobres a fazem desaparecer antes mesmo de ser servida". Ela também era solicitada em questões de justiça e decisões em assuntos domésticos: "Um dia os atenienses acessariam a justiça em seus próprios lares, cada cidadão teria um pequeno tribunal construído em sua varanda, similar aos altares a Hécate (Hekataion) e haveria tal coisa diante de cada porta" (Aristófanes, 'As Vespas'). A deusa também tinha um culto onde se acreditava que os doentes mentais eram curados. Ela também é patrona de mulheres feiticeiras como Circe e Medeia. Recorria-se a Ela tanto para fazer quanto para se proteger de bruxaria. Hécate é descrita no Oxford Classical Dictionary como "mais em casa e arredores do que no centro do politeísmo grego. Intrinsecamente ambivalente e polimorfa, ela ultrapassa as fronteiras convencionais". Nos arredores é que estão os pobres, os doentes mentais, as mulheres, e outros que não eram admitidos na política.




